quarta-feira, 31 de julho de 2013

Nova elite caipira

por Márcia Tiburi

Sobre uma curiosa inversão histórica 
na ordem da cultura


No título do famoso filme Tropa de elite (José Padilha, 2007), o termo elite referia-se ao grupo de policiais especialmente treinados para operações muito complicadas. A “elite” que era a tropa tinha um significado de especialização, superioridade, hierarquia, entendidas tecnicamente. Na contramão, quem utiliza o termo em outros contextos refere-se, em geral, a: “donos do poder”, “classe dominante”, “oligarquia”, “dominação política”, “dominação econômica”, “classe dirigente”, “minoria privilegiada”, “formação de opinião”, “dirigente cultural”. “Elite” é termo usado para designar as vantagens petrificadas de “ricos” e “poderosos” que comandam massas, as maiorias anódinas que, não tendo poder, parecem não ter escolha quanto a deixar-se conduzir.

Usado em oposição a povo, à democracia, à simplicidade das gentes, à cultura popular, o termo é usado para designar grupos econômica, cultural e politicamente dominantes. Seu uso atual, no entanto, erra o alvo em relação à cultura, desde que vivemos uma curiosa inversão cultural.

Morfina estética

Há dois tipos de caipira. Um que era o oposto da elite, como o simpático Jeca Tatu, e outro, que é a própria nova elite, o cantor da dupla sertaneja que, depois de um banho fashion, fica pronto para o ataque às massas, mesmo que seu estilo continue sendo o do chamado “jeca”. Refiro-me ao “caipira” ou “jeca” como figura genérica, mas poderia também falar da moça cantando seu axé music, seu funk, que, de repente, não é uma “artista do povo” como quer fazer parecer a indústria que a sustenta (e atormenta o povo como F. Bacon dizia que era preciso tormentar a natureza para receber dela o que interessava à ciência), mas é a rica e poderosa estrela – e objeto – da indústria cultural.

Sem arriscar um julgamento quanto à qualidade estética dos produtos do mercado, é possível, no entanto, questionar sua qualidade cultural e política. Muitos defendem que “é disso que o povo gosta”, enquanto outros dirão que o povo experimenta uma baixa valorização de si ao aceitar o que lhe trazem os ricos e poderosos sem que condições de escolha livre tenham sido dadas, o que surgiria de uma educação consistente – e inexistente em nosso contexto. A injeção diária de morfina estética que o povo recebe não permite saber se o “gosto” é autóctone ou externamente produzido.

De qualquer modo, no mundo da nova elite, a regra é a adulação das massas. Qualquer denúncia ou manifestação de desgosto em relação ao que se oferece a elas é sumariamente constrangida.

Mais curioso é a inversão culturalmente curiosa que está em cena. No lugar das extintas “elites culturais”, sobem ao podium as novas estrelas que permutam o antigo poder do artista e do intelectual pelo poder do jeca para quem a arte não é problema. Se o intelectual é melhor ou pior do que o jeca não é a nossa questão. Questão é desvendar o seguinte: num quadro em que professores recebem um torturante salário de fome, em que intelectuais sérios precisam pedir desculpas por existir, em que escritores permanecem perplexos sem saber se sobreviverão em um país de analfabetos, em que artistas-não-jecas recebem pareceres humilhantes de agências e ministérios, enquanto todos estes são questionados quanto a seu papel social e sua contribuição para a sociedade como se fossem um estorvo, ninguém pergunta sobre o papel cultural da elite caipira: Xuxas e Sangalos, Claudias Leittes e Luans Santanas, Micheis Telós – para citar exemplos – são livres para exercitar um autoritarismo sutil, covarde e sedutor na condução das massas à imbecilização planetária. Politicamente correto é elogiar a imbecilização como se ela não estivesse em cena impedindo a reflexão. O autor da crítica à nova elite sempre pode ser xingado de “elitista”, afinal, a elite jeca não tem outro argumento senão o disfarce.

fonte: Revista Cult


Centro de Estudos Hannah Arendt é inaugurado em SP

Amanda Massuela

A filósofa alemã Hannah Arendt dedicou a vida ao pensamento político do século XX. De origem judaica, investigou ações anti-semitas em organizações, foi perseguida pelo governo nazista de Hitler, presa pela Gestapo e expatriada por 18 anos. Trabalhou como jornalista e professora, escreveu obras consagradas como As Origens do Totalitarismo e A Condição Humana, além de cobrir o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, em Jerusalém, episódio transformado em filme pela diretora alemã Margarethe von Trotta.

Inspirado pela ação política de Hannah, o Instituto Norberto Bobbio inaugurou, nesta segunda-feira (29/07), em São Paulo, o Centro de Estudos Hannah Arendt, com a proposta de difundir e estudar a obra da pensadora. De acordo com Raymundo Magliano Filho, presidente do instituto, Arendt é uma filósofa latente, cujo pensamento se mostra extremamente atual. “Ela sempre achou que deveria existir um capitalismo mais humano, em que fosse possível conciliar a igualdade das pessoas com a liberdade. Existe uma profundidade muito grande em sua obra”, acredita Magliano.

Segundo ele, a grande intenção do Centro de Estudos é popularizar o pensamento da alemã, especialmente no que se refere à política e sociedade civil. Para tanto, criou-se uma biblioteca especializada e há projetos para o desenvolvimento de grupos de estudos. “Hannah nos ensinou que devemos ter amor ao mundo e, por isso, deixar um legado. Precisamos nos preocupar com as novas gerações.”

A biblioteca funciona no Instituto Norberto Bobbio, de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h. Os títulos podem ser consultados previamente no site. Os interessados em participar dos grupos de estudos devem fazer contato pelo e-mail centrodeestudos@hannaharendt.org.br

Centro de Estudos Hannah Arendt
Onde: Avenida Ipiranga, 344 – Edifício Itália, 2º. Andar – São Paulo
Quando: das 10h às 18h
Info.: http://www.hannaharendt.org.br/


fonte: Revista Cult



Música de concerto no SESC

Quinteto de Brasília (DF).

O QUINTETO DE BRASÍLIA se apresenta dia 05 de setembro no Teatro do SESC Santa Rosa, às 20 horas.

Criado em 2000, é um dos principais grupos de câmera da região Centro-Oeste e um dos poucos quintetos clássicos de sopros em atividade no país. 

Atua com regularidade nos espaços dedicados à música de concerto, especialmente em Brasília e entorno, e tem se dedicado à apresentação de obras de compositores da atualidade. Seus integrantes são todos também professores em universidades e/ou músicos de orquestra.

O grupo é formado por Sérgio Barrenechea (flauta), José Medeiros (oboé), Félix Alonso (clarineta), Gustavo Koberstein (fagote) e Stanislav Shulz (trompa).


28 de agosto, Dia Nacional dos Bancários

Atual diretoria do Sindicato dos Bancários de Santa Rosa e Região

Os trabalhadores bancários, no dia 28 de agosto, comemoram o seu dia. A história desta data se reporta aos acontecimentos havidos em 1951.  Naquele período, os bancários brasileiros decidiram unificar nacionalmente a luta por reivindicações salariais e por melhores condições de trabalho As principais reivindicações pediam reajuste de 40%, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço. As tentativas de negociação fracassaram. Os banqueiros ofereciam reajuste de 20%, reprimiam o movimento, negavam quase tudo, mas os bancários mantiveram sua reivindicação.

No dia 28 de agosto de 1951, uma assembleia histórica no Sindicato dos Bancários, contando com a presença de 28% da categoria, decidiu ir à greve para conseguir seus direitos. A greve foi deflagrada e logo duramente reprimida. O DOPS prendia e espancava os grevistas. Em todo o Brasil a manipulação da grande imprensa (como sempre) levou os bancários de volta ao trabalho, mas a categoria resistiu e a repressão aumentou. Somente após 69 dias de paralisação, a categoria arrancou 31% de reajuste.

Após o término da paralisação a repressão foi ainda mais acentuada. Bancários foram demitidos e as comissões por bancos foram desmanteladas (táticas utilizadas até hoje). Como resultado positivo, a greve de 1951 colocou em xeque a lei de greve do governo Dutra e provocou, também, a criação do Dieese em 1955. Em julho de 1964, os bancários conquistaram sua data “Dia Nacional dos Bancários” pela Lei 4368.

De lá para cá, a categoria bancária sempre despontou como vanguarda da luta dos trabalhadores, mobilizando-se e avançando em direitos. É o caso da jornada de 6 horas, do fim do trabalho aos sábados, da convenção coletiva nacional, do tíquete-refeição, do tíquete-alimentação, da participação nos lucros e resultados, além de outros direitos duramente conquistados.

No dia 28 de agosto a categoria bancária comemora a sua existência. No mês de agosto, também se dá início a Campanha Nacional dos Bancários pela valorização da categoria profissional através da luta pela pauta reivindicatória, que exige do conjunto dos trabalhadores, elevado nível de consciência coletiva e integrada participação nas atividades sindicais.

Para comemorar o Dia Nacional dos Bancários e Bancárias o Sindicato dos Bancários de Santa Rosa e Região promove um Jantar Dançante no Clube Serrano em Santo Cristo, no dia 30 de agosto, com animação da Banda 4x4. Convites podem ser adquiridos na sede do Sindicato ou nas agencias bancárias.


Mostra de cinema em Santa Rosa



De 11 a 13 de setembro ocorrerá o festival Santa Rosa Mostra Cinema. O evento transcorrerá com o 2º Festival de Cinema e homenagem que será prestada a personagem do cinema brasileiro.

O 2º Festival de Cinema de Santa Rosa é um evento de caráter competitivo que reunirá filmes de curta-metragem produzidos nos quatro cantos do país.

O Santa Rosa Faz Cinema, por sua vez, é uma mostra da produção audiovisual contemporânea realizada em nosso município.

O Santa Rosa Mostra Cinema visa também homenagear pessoas importantes na criação do imaginário cinematográfico brasileiro. Portanto, realizará em suas edições, retrospectivas e homenagens a algumas dessas honoráveis figuras.

Ações de fomento, discussão e intercâmbio fazem parte da linha de ação do evento.

A realização do Santa Rosa Mostra Cinema é da Prefeitura Municipal de Santa Rosa, através da Secretaria de Cultura e Turismo, e da Oscip Cidade Interativa.





sábado, 27 de julho de 2013

Nosso Norte é o Sul

Inaugurada em 2005 por Chávez e Fidel, a rede de televisão multiestatal procura transmitir o olhar latino-americano dos principais acontecimentos do mundo


A rede de televisão multiestatal, TeleSur (Televisión del Sur ), completou nesta quarta-feira (24), oito anos de transmissões ininterruptas. Com sede na Venezuela, a TV foi inaugurada em 2005, pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e pelo cubano, Fidel Castro.

O canal, cujo lema é "Nuestro Norte es el Sur" (Nosso Norte é o Sul), também foi criado em parceria com os governos da Argentina e Uruguai. Entre seus principais objetivos, está o de comunicar o olhar latino-americano dos principais acontecimentos do mundo. Ao todo, possui mais de 480 mil horas de transmissão.

Não à toa, esteve presente em episódios históricos, como os conflitos na Líbia, diferentes processos de libertação de prisioneiros pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o golpe de Estado que derrubou o presidente hondurenho Manuel Zelaya, entre outros. Para tanto, o canal televisivo mantém diversos correspondentes distribuídos em vários países, como Argentina, Uruguai, Bolívia e Peru. Em 2009, a TeleSur fechou algumas sucursais, entre elas, a do Brasil.

Especializada em produção de documentários, a TV também ocupa diversos espaços na mídia, como as principais redes sociais, e mantém o site www.telesurtv.net.

Sem fins comerciais ou de lucro, é quase totalmente ausente a presença de publicidade. O canal também pode ser acessado gratuitamente através de sua página na internet e em canais locais de alguns países de língua espanhola.

Fonte: Brasil de Fato 



sexta-feira, 26 de julho de 2013

Quer dar aula na UFFS?

Aberto novo edital para concurso 
de docentes da UFFS

A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) publicou nesta quinta-feira (25) novo edital de concurso público para docentes (Edital nº 298/UFFS/2013). São ofertadas 25 vagas, para os seis campi da Universidade. Neste concurso já estão previstos docentes para o curso de medicina do Campus Passo Fundo. O período de inscrição inicia no dia 29 de julho e se estende até o dia 11 de agosto de 2013.

As vagas são para Professor de Magistério Superior, com regime de trabalho de 40 horas – dedicação exclusiva e 20 horas semanais.

O valor da inscrição para as vagas com regime de trabalho de 40 horas com dedicação exclusiva é de R$ 200 e para vagas com regime de trabalho de 20 horas semanais é de R$ 100. A inscrição deve ser feita via site do concurso, através do endereço concursos.uffs.edu.br/. Após efetuar e pagar a inscrição, o candidato terá até o dia 12 de agosto para enviar para o e-mail:

inscricao.concursos@uffs.edu.br o comprovante de inscrição acompanhado do comprovante de pagamento da Guia de Recolhimento da União (GRU) com o assunto - inscrição concurso.

O concurso será composto de três etapas: - Prova de Conhecimentos; - Prova Didática; e Prova de Títulos. Todas as etapas do Concurso serão realizadas em Chapecó/SC em locais, datas e horários a serem divulgados no sítio do Concurso. De acordo com o cronograma do concurso, a prova de conhecimentos será aplicada no dia 25 de agosto de 2013.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Que Ninja é esse?

por Jandira Feghali*


Rosto à mostra e uma câmera na mão. Verdadeiramente, não há como definir um cidadão neste perfil, durante a filmagem de um protesto, como um provocador oportunista e perigoso à ordem. A ação da mídia independente brasileira desafia o olhar tradicional da grande Mídia e o faz de forma criativa, moderna e o mais importante: livre.

Os protestos fluminenses trazem suas pautas sociais, como mais saúde e educação, passando pelo campo dos direitos humanos, como o sumiço do pedreiro Amarildo na comunidade da Rocinha, na Zona Oeste do Rio, a violência sexual contra as mulheres e a homofobia. Mas será que os temas que ecoam nas ruas chegam a todos nós? E se chegam, será que nos alcançam em sua versão real e não editada?

Os grupos de mídia livre aparecem exatamente aí. É quando surge a sigla mais ativa neste processo, desmembrada em “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”, ou, simplesmente, NINJA. Sua ação se inicia por coletivos de mídia independente do País que ampliam o debate sobre a exposição das notícias, a forma de retratação sem tendência, onde a câmera do celular de última geração é um gigante na luta pela democratização da informação. São aparatos simples, porém com tecnologia avançada, fruto de uma modernidade cada vez mais acessível ao cidadão brasileiro. Os Ninjas são arteiros, inteligentes e ávidos pela realidade. Fazem isso sem segredo.

Um dos braços por trás da ação Mídia Ninja é o coletivo Fora do Eixo, que reúne jovens de todos os estados, inclusive das capitais Cuiabá e São Paulo, onde se concentram. Erra quem pensa que eles surgiram apenas nessas manifestações. O trabalho Ninja é um forte motor na divulgação e consolidação da cultura e diversidade brasileira. Esses comunicadores são responsáveis há tempos por reverberar o que ocorre, por exemplo, com os mais de 3 mil Pontos de Cultura do Brasil, da dança folclórica do Norte ao grupo de rock alternativo do Rio Grande do Sul. Das festas tradicionais nordestinas, dos encontros e debates universitários e de muitos temas que não são de interesse da mídia tradicional. Ninjas são soldados da realidade. Da que existe diariamente, não da que é comercializada em “pílulas”.

Nem todo mundo sabe ou está preparado para lidar com o real. E foi exatamente isso que aconteceu no Rio, na segunda-feira (22), durante os conflitos entre provocadores mascarados e a polícia militar. Enquanto um Ninja filmava da rua a ação da corporação, um policial o deteve com argumento inconsistente de “averiguação”. Revistou mochila, não encontrou nada, mas mesmo assim o levou para a delegacia do Catete, de forma arbitrária. Quebrava-se, naquele momento, o fundamental e constitucional direito e liberdade de imprensa. Prática indissociável do Estado democrático de direito.

O jovem fora solto após trabalho incansável de profissionais da Ordem dos Advogados do Brasil. Também busquei diálogo com a chefe da Polícia Civil, Marta Rocha, por telefone, defendendo o direito de comunicação do Ninja e sua libertação. Logo após a soltura, a Mídia Ninja e a sociedade reagiram efusivas. Foi assim na rua, como também nas redes sociais – um dos pilares dessa comunicação.

É dever do Estado e de todos nós, parlamentares ou gestores, dar formas de crescimento a este segmento. Há 20 anos que trabalho por isto e a própria Comissão de Cultura da Câmara, a qual presido, já caminha nesse norte. Nossa meta hoje é garantir novas formas de financiamento por bancos públicos e privados, políticas que fomentem seus pequenos grupos e o Marco Regulatório da Comunicação. Neste campo, ressalto, também entram rádios e TVs comunitárias, sites, blogueiros e webtv.

À primeira vista, os Ninjas podem parecer órfãos, mas possuem parceiros importantes nesta empreitada. Somos nós, a sociedade civil e todos aqueles que compreendem que a liberdade de ter um rosto à mostra e portar uma câmera na mão é a garantia de um País democrático também.


*Jandira Feghali é deputada federal pelo PCdoB/RJ e presidenta da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados.


Medicina na UFFS de Passo Fundo

Primeiro curso de Medicina da Política Nacional de Expansão das Escolas Médicas é da UFFS


A Secretaria de Regulação e Supervisão do Ministério da Educação (MEC) publicou, na manhã desta quarta-feira (24), a Portaria nº 323, autorizando o funcionamento do curso de Medicina, bacharelado, para a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), no Campus Passo Fundo (RS). A UFFS é a primeira Universidade do Brasil a obter a autorização para o funcionamento dos cursos de medicina no quadro da Política Nacional de Expansão das Escolas Médicas das Instituições Federais de Educação Superior. Neste primeiro momento, estão autorizadas 40 vagas anuais.

Para o reitor Jaime Giolo, essa é mais uma grande conquista da UFFS. “"É uma honra sermos a primeira instituição do Brasil. Coroa o esforço e o trabalho realizado pela Universidade e pela comunidade regional. É mais um passo na implantação e no fortalecimento da área da formação em saúde na instituição"”, disse.

“O projeto prevê o início das aulas em 16 de setembro deste ano e, para isso, o edital do Processo Seletivo já está aprovado na Câmara de Graduação do Conselho Universitário e será publicado nos próximos dias. "Nesse ínterim, será designado o primeiro núcleo de docentes e técnicos para atuar no Campus Passo Fundo e serão ultimados os trabalhos de estruturação material e pedagógica do campus e do curso"”, afirma Giolo.

Os interessados poderão acompanhar o processo de implantação por meio do site da UFFS.

A Comissão de Implantação, juntamente com a Prefeitura Municipal e a Câmara de Vereadores de Passo Fundo organizam um evento de lançamento do edital do Processo Seletivo para o curso, para esta sexta-feira (26). A solenidade está marcada para as 19h, no auditório da Câmara de Vereadores do município.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Semente é o novo filme de Anderson Farias

O cineasta e jornalista Anderson Farias concluiu seu mais recente trabalho: SEMENTE. O lançamento do filme será no dia 14 de agosto, no Teatro do Sesc de Santa Rosa, às 19h. 

Além da exibição gratuita do filme para a comunidade, o evento conta com a participação de profissionais de saúde, pacientes do CAPS Novo Rumo e convidados especiais, como o músico Cláudio Joner, responsável pela trilha do filme.

O curta documentário produzido pela Lanterna Mágica Filmes com parceria com o CAPS Novo Rumo e incentivo do Fundo Municipal de Cultura/2012, trata sobre a doença mental e o sofrimento causado nas pessoas e familiares que se deparam com este problema. 

O documentário com 23 minutos de duração aborda o trabalho do CAPS – Centro de Atenção Psicossocial de Santa Rosa e a atuação dos profissionais de saúde na busca pela melhora da qualidade de vida destas pessoas. Para falar sobre o drama da loucura, o filme utiliza dezenas de entrevistas de pacientes, familiares e profissionais de saúde, além da participação do ator pernambucano Paulo Moura.


Cuba sedia o 1º Festival de Comunicação Social

1º Festival de Comunicação Social

Desta data até 2 de agosto, a capital de Cuba sedia o 1º Festival de Comunicação Social, promovido pela Associação Cubana de Comunicadores Sociais (ACCS) e pelo Bureau Nacional de Design (Ondi). 

O evento é aberto a profissionais, acadêmicos e estudiosos de Propaganda, Relações Públicas, Comunicação Empresarial e Comunitária, Marketing, Design e Fotografia, entre outras áreas associadas à criação de peças com fins de comunicar. 

O festival tem o apoio da Associação Latinoamericana de Propaganda (Alap), que está convidando os publicitários gaúchos a participarem do festival. 
Para integrar o concurso, os trabalhos inscritos devem estar relacionados com o tema ‘Papel da Comunicação’. 

Outras informações podem ser obtidas pelos endereços 

A taxa de inscrição é de 100 pesos cubanos para estudantes e de 150 pesos cubanos para profissionais.


Fonte: coletiva.net

Espetáculo teatral na Germano


 A TURMA DO DIONÍSIO SE APRESENTA EM TRÊS DE MAIO


Espetáculo será realizado 
no dia 2 de agosto

Com o apoio da Secretaria de Educação, Cultura e Desporto, o grupo de teatro ‘A Turma do Dionísio’, de Santo Ângelo, irá realizar uma apresentação teatral em Três de Maio. O evento irá ocorrer no dia 2 de agosto, com a peça ‘Segredos do Rio’, que será realizada no auditório da Escola Municipal Germano Dockhorn.

A apresentação integra o projeto “Segredos do Rio: teatro sem segredos”, realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (Pró-cultura RS FAC), contemplando 15 cidades do Rio Grande do Sul. 

Além das apresentações, serão realizadas atividades complementares, como o fornecimento de projetos pedagógicos da peça para professores discutirem os temas com os alunos e a realização de ‘rodas de conversa’ com o público, após as apresentações. O espetáculo é indicado para crianças e possui entrada gratuita, para escolas previamente agendadas.
Em 27 anos de trabalho, A Turma do Dionísio realizou 1.880 apresentações, atingindo 535 mil espectadores, no Brasil, Argentina, Bolívia, França, Suíça, Polônia e Itália.



segunda-feira, 22 de julho de 2013

Contagem regressiva para a 9ª Feira Livro

O escritor e agitador cultural Mário Pirata é presença
garantida.
A 9ª Feira do Livro de Santa Rosa entra agora na reta final de sua organização. Agendada para o período de 14 a 17 de agosto, a Feira vem gerando uma expectativa muito positiva.

A introdução do Vale-livro (cupons no valor de dez reais para cada aluno da rede municipal de ensino), a confirmação de 10 livreiros que irão comercializar as mais variadas obras impressas, os vários lançamentos de obras de autores locais e forasteiros, a presença do escritor e agitador cultural Mário Pirata são alguns dos fatos que alimentam essa expectativa.

Além disso, uma farta programação de eventos complementares, sorteios de diversos prêmios aos adquirentes de livros e um novo layout e identificação visual da Feira prometem atrair um público consistente e interessado.


domingo, 21 de julho de 2013

10 estratégias de manipulação

Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')”.



2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.



3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.


4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.


5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.



6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.


8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…


9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


[Sacou?]

Bancários vão cobrar reajuste de 11,93% e piso de R$ 2.860

Pauta aprovada na conferência nacional da categoria será entregue no dia 30 à Fenaban e prevê 
ainda vales-refeição e alimentação de um mínimo
e PLR de três salários mais R$ 5.553

São Paulo – A Conferência Nacional dos Bancários terminou hoje (21) em São Paulo com a aprovação de uma pauta de reivindicações encabeçada pelo pedido de reajuste salarial de 11,93%, o que, pela projeção de inflação, resultaria em um aumento real de 5%. A lista a ser aprovada no último dia 29 em assembleias e entregue no dia 30 à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) inclui ainda um piso salarial de R$ 2.860,21, mais que o dobro do valor atual, e uma participação nos lucros ou resultados equivalente a três salários acrescidos de uma parcela fixa de R$ 5.553,15.

Outra questão que será levada à mesa de negociação é o pedido para que os vales-refeição e alimentação sejam de um salário mínimo cada, igual a R$ 678, acrescidos de auxílios para creche e babá. A pauta cobra ainda defesa do emprego, fim da terceirização e combate às metas abusivas e ao assédio moral.

“Nao é justo que os executivos de bancos ganhem até R$ 8 milhões ao ano enquanto os trabalhadores tenham piso de R$ 1.519,00. Temos que valorizar os salários e reduzir essa diferença”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira. “Estamos reivindicando não só o aumento do salário, mas melhores condições de trabalho. O bancário não pode mais conviver com a pressão para a venda de produtos e com metas abusivas, impostas pelos bancos.”

Participaram da conferência, em um hotel na zona sul de São Paulo, 629 delegados de todo o país, sendo 422 homens e 207 mulheres. Além das reivindicações da categoria, eles aprovaram uma pauta política que prevê a oposição ao Projeto de Lei 4.330, de 2004, do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), que abre a possibilidade para a terceirização de atividades-fim. Os bancários se somarão a outras categorias em protestos ao longo de agosto contra a proposta, que está sendo negociada por uma comissão que envolve trabalhadores, empresários, governo federal e parlamentares.

A pauta apoia ainda a realização de reformas política e tributária, a criação de um marco regulatório pela democratização das comunicações, a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação e de 10% do Orçamento da União para a saúde, além de cobrar a realização de uma conferência nacional para debater regras para o sistema financeiro.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, o Carlão, a campanha deste ano será muito forte. "Os bancários estão mais mobilizados que na greve do ano passado, inclusive pelo momento em que estamos vivendo. Esta campanha não será apenas por questões corporativas, vamos lutar contra o PL 4330 da terceirização e por toda a pauta colocada pelas centrais sindicais”, disse. "Os bancários não aguentam mais as demissões e as péssimas condições de trabalho. Aliás, este ano, a luta contra o assédio moral e as metas abusivas terá um peso maior. Não podemos admitir que nossa categoria continue adoecendo física e psicologicamente por causa dos bancos."

A Convenção Coletiva de Trabalho da categoria tem validade nacional, ou seja, as reivindicações englobam os 500 mil bancários em todo o país.




sábado, 20 de julho de 2013

Deus me livre de ser normal!

Deus me livre de ser normalizado!
Deus me livre de ser normatizado!
Deus me livre de ser uma média na estatística!
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"Quando desistimos da nossa singularidade para descansar no comportamento de grupo, aí está a origem do mal. O grupo, para mim, é o mal." (Contardo Calligaris)

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Todo mundo quer se encaixar em um padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de se alcançar. Porque o sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável e bem-sucedido; bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.

Quem não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo (se for vítima da Normose).

A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. 

A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? 

Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? 

Eles não existem.

Nenhum João, Zé ou Ana bate à porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que exige que você do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. 

- Você precisa de quantos pares de sapato? 
- Comparecer em quantas festas por mês? 
- Pesar quantos quilos até o verão chegar? 
- Frequentar terapeuta para bater papo? 

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.


Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida ao seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Os que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera são cativantes. São os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.

Logo, eis o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.


*Professor Hermógenes, escritor, professor e divulgador brasileiro do hatha ioga.


A velhice sob a ótica espírita

O editor entrevistou o médico Carlos Eduardo Accioly Durgante (foto), 49 anos, natural de Santa Maria e com forte vínculo afetivo com Santa Rosa. Por aqui ainda residem primos, tios e seu avô foi juiz nesta cidade por longos anos, inclusive deu nome à rua Pretextato Accioly.

Dr. Carlos Eduardo é médico com especialização em geriatria, professor em pós-graduação do curso de Saúde e Espiritualidade, na Faculdades Monteiro Lobato, em Porto Alegre.
Casado, dois filhos, autor dos livros: Planejando o Futuro; Fé na Ciência; Velhice: culpada ou inocente? e Luz, Câmera…Ação! A Vida Entra em Cena. Organizador dos livros: Conectando Ciência, Saúde e Espiritualidade e Práticas Complementares na Promoção da Saúde Integral.
Palestrante espírita, ele veio a Santa Rosa para abordar o tema “A Espiritualidade como dimensão imprescindível no processo do viver envelhecendo”.

É possível envelhecer com felicidade? 
 Uma felicidade plena, perene, só será possível após muito aprendizado através de muitas existências da alma. Mas uma felicidade relativa é possível, sim. Vejam o resultado de uma pesquisa feita pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS, publicado há um ou dois e anos atrás, onde em torno de sete mil idosos responderam que:  se percebem otimistas, veem sua saúde como ótima ou boa, dormem e se locomovem bem, assistem, em média, três horas de TV por dia e passam uma hora lendo jornal. A grande maioria se sustenta, mora na zona urbana, procura votar nas eleições e dá uma importância fundamental ao seu credo/crença religiosa.

O que muda biológica, emocionalmente e espiritualmente ao chegarmos à velhice?
Biologicamente, assim como tudo na natureza, o corpo sofre inúmeras transformações, desde a pele e os cabelos, até funções dos diversos sistemas e órgãos que o compõe. Afinal de contas não somos feitos de vidro ou de acrílico, que são materiais que podem levar centenas de anos para se decomporem. O processo de envelhecimento físico é inexorável. Temos condições de desacelerá-lo, não evitá-lo. Os avanços médico-científicos e tecnológicos estão aí para proporcionar mais qualidade e dignidade na velhice. As transformações mais importantes se dão no campo dos sentimentos e emoções e nas demandas da alma.  
Muitos estudiosos, a maioria deles psicólogos e neurocientistas de diversas universidades canadenses, norte-americanas, e europeias vêm, nos últimos anos, tentando colocar por terra certos mitos relativos ao envelhecimento.
Afirmam que, do ponto de vista puramente estatístico, um significativo número de pessoas se torne mais confiante e afável com o avançar da idade. Isto pode explicar a crescente maturidade que o ser humano adquire pelo simples processo de envelhecer.
Outras constatações merecem relevância: como a de que com o avançar da idade muitas pessoas se tornam mais conscienciosas, tranquilas, estáveis e menos atormentadas pelos próprios sentimentos. Acredita-se que elas possuam um maior controle sobre as emoções que os mais jovens.
Já do ponto de vista espiritual, há uma maior busca pelas questões transcendentais da existência. A espiritualidade é uma dimensão humana muito importante e valorizada no envelhecimento.  A Espiritualidade é capaz de responder as demandas da alma e proporcionar significado e propósito de vida, confortar, aliviar a ansiedade, dar segurança emocional e espiritual para as pessoas  que compartilham seus significados, auxiliando no enfrentamento de doenças físicas, transtornos psíquicos, sofrimentos e limitações das mais diversas, que são próprias da velhice.

O que significa esta fase (velhice) da vida na nossa existência como seres eternos que somos?
O destino do ser é exatamente esse, a eternidade, mas essa, não se conquista em uma única existência da alma, em uma única experiência vivencial.
A escritora espírita Dora Incontri afirma que quem envelhece de modo apropriado é capaz de entender o conjunto da vida que é uma preparação para o encontro com Deus. Quando o indivíduo estiver consciente deste destino eterno e tiver acumulado experiências proveitosas e puder repartir com os mais jovens  o testemunho de uma vida exemplar, o declínio físico pouco importará.
A oportunidade da vivência da velhice é um convite para que exercitemos alguns valores nobres do espírito ou da alma humana como a tolerância com a gente e com os outros, o desapego aos bens materiais, a paciência, a bondade, a benevolência, a gratidão e o perdão. Enfim, nos propiciar mais uma chance para um olhar interior, um olhar para o todo da existência. É um estágio indispensável à Completude da Vida!

Quais as diferenças entre a velhice de tempos atrás e a velhice nos tempos atuais? 
A primeira diferença marcante era que poucos, ou a minoria das pessoas alcançavam a terceira idade. Aos que chegavam aos 60 anos, não viviam tanto tempo como hoje ( em média 74 anos, sendo que  em algumas regiões do país, as mulheres têm uma expectativa média de vida de quase 80 anos ).
Atualmente, os avanços médico-científicos e tecnológicos estão proporcionando uma vida mais longa, com mais independência funcional e qualidade de vida, ou seja, mais satisfação e  principalmente um maior bem-estar.
Acredito que a velhice de hoje é mais valorizada, pelas gerações mais jovens e pelos próprios idosos, pois hoje encontramos cada vez mais pessoas de 70, 80 e até com mais idade, realizando anseios, sonhos que não puderam ser realizados em outros ciclos da vida, devido a uma série de questões pessoais, familiares, profissionais. Estão voltando a estudar, estão interagindo ativamente nas redes sociais (não só no Facebook ou no Twitter), mas  nos diversos grupos  sociais e culturais, bem como  em atividades esportivas, artísticas e lúdicas. Estão deixando de lado os “crochês”, os “tricôs”, os jogos de dama ou bocha, ou simplesmente as “obrigações” de cuidar ou somente divertir os netos!
Eu acredito que a velhice de hoje esteja sendo bem melhor vivenciada que a de nossos antepassados.   

O senhor escreveu um livro intitulado "Velhice: Culpada ou Inocente?" Poderia nos explicar essa dualidade?
Esse simbolismo que utilizei foi para que façamos uma reflexão a respeito de como estamos construindo essa fase da existência. Já que a velhice é uma construção muito mais individual que coletiva. Se a opção de construirmos a velhice for a de lamentarmos pelo que de bom deixamos para trás, em outros ciclos passados, ou nos colocarmos no papel de vítimas das vicissitudes da vida, bom, a velhice será culpada. Agora, se a decisão de fazermos dessa fase, um período a celebrar o que de bom se conquistou e que ainda poderá ser conquistado... será inocentada!

A velhice pode ser considerada um castigo ou ela é necessária para nossa trajetória? Como evoluirmos na velhice?
Poderemos olhar a velhice à luz do espiritismo e compreender que provavelmente estejamos vivendo ou viveremos a nossa primeira experiência da velhice nas inúmeras reencarnações pelas quais passamos. Afinal de contas, a expectativa média de vida até meados do século passado ficava bem abaixo dos 60 anos de idade. Se optarmos por esse olhar, ou por essa compreensão da pluralidade das existências da alma, poderemos contribuir decisivamente para que esse espírito se mantenha lúcido, ativo e entusiasmado com os propósitos que essa etapa da vida requer!

Conclusão
Concluo com essas sábias palavras de um grande filósofo da doutrina espírita:
“Sede irmãos, ajudai-vos, sustentai-vos na vossa marcha coletiva. Vosso alvo é mais elevado que o desta vida material e transitória, pois consiste nesse futuro espiritual que deve reunir-vos todos como membros de uma só família, ao abrigo de inquietações, de necessidades e males inumeráveis. Procurai, portanto merecê-los por vossos esforços e trabalhos.” (Léon Denis)




Novo livro de Edna Lautert chega ao mercado em agosto

A jornalista e escritora Edna Lautert anuncia para o próximo mês de agosto o lançamento do seu mais novo livro: O Fantasma do Casarão. A obra, em 44 páginas, reúne uma seleção de seus contos premiados em concursos literários no País, além de inéditos.

Contos como O Fantasma do Casarão, O Morro do Cata Latas, O Motoqueiro sem Cabeça da Bossoroca, e a comédia inédita Estação das Flores – em três capítulos – estão nesta obra.
A obra O Fantasma do Casarão está em processo de edição, aguardando o ISBN (sistema internacional que identifica os livros numericamente) para ser impressa.




quarta-feira, 17 de julho de 2013

A arte pode estimular a economia?


Secretária de Cultura da Grã-Bretanha evita cortes no orçamento do setor e diz que investir em cultura é investir em crescimento econômico


Maria Miller, Secretária de Cultura da Grã-Bretanha
Em meio à crise econômica global, o setor cultural vem sofrendo dolorosos cortes de orçamento. Porém, durante a última revisão orçamentária britânica, uma reviravolta livrou o setor do país de mais um aperto de cinto.

Os apaixonados pela arte respiraram aliviados após saber que o corte no orçamento da Cultura será bem menor que esperado. O governo britânico decidiu pelo corte misericordioso após concordar com o argumento apresentado dois meses antes pela atual secretária de Cultura, Maria Miller.

Maria sugeriu que o financiamento das artes deve ser visto como uma forma de capital de risco. Para a secretária, incentivar o investimento no setor artístico do país é uma forma de estimular o crescimento econômico. De acordo com Maria, a cultura deve ser vista como o porta-estandarte da diplomacia cultural britânica e uma ferramenta de desenvolvimento que tornará o país competitivo no comércio e no investimento. A secretária utilizou sua experiência em jargões econômicos para explicar seu ponto de vista, mencionou os lucros do setor artístico e sua esperança de obter segurança financeira para o setor.

Contudo, o argumento econômico de Maria não foi bem aceito pelo Conselho de Artes da Inglaterra, que controla os gastos no setor. A atual chefe do órgão, Dame Liz Forgan, disse que a arte é tão necessária quanto comida, sexo, moradia e segurança e teme que a visão estritamente monetária para o setor direcione os investimentos apenas para o lado comercial da cultura. Dame argumentou que isso resultaria “em uma arte pior e comercial” e acusou Maria de ver as artes como commodities.

Apesar de ter seu argumento refutado por Dame e outras figuras ligadas às artes, Maria conseguiu evitar mais cortes na Cultura e incentivar o governo a investir no setor.


Fontes: The Atlantic-Does Art Help the Economy? (via Opinião & Notícia)


20º Festival Porto Alegre em Cena

Porto Alegre em Cena chega aos 20 anos em 2013 trazendo grandes nomes da cena mundial a Porto Alegre


Realizado pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre – que comemora seus 25 anos -, o festival está numa posição de destaque nas artes cênicas brasileiras e mundiais


Em Cena chega aos 20 anos forte, diversificado, intenso: em plena maturidade. O Festival, que este ano acontece entre os dias 03 e 23 de setembro, é uma realização da Prefeitura de Porto Alegre através da Secretaria Municipal de Cultura/25 anos. Os patrocinadores apresentadores são o Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Prefeitura Municipal de Porto Alegre, Petrobras, Braskem. Completam o time de patrocinadores a Caixa e as empresas Companhia Zaffari e Timac Agro.

Neste ano comemorativo, 41 montagens integram a programação, entre elas a peça Sobre o conceito da face no filho de deus, do grupo italiano Socìetas Raffaello Sanzio. O espetáculo mais polêmico atualmente em turnê na Europa, desperta discussões acaloradas nas principais capitais europeias ao colocar o tema da velhice, da deterioração do corpo diante da morte, e da figura do Cristo como símbolo da piedade e da compaixão humanas, num espetáculo quase sem palavras, que divide as emoções da plateia. Este espetáculo vem ao Brasil exclusivamente para o Porto Alegre em Cena. Ao todo, sete espetáculos internacionais vindos da França, Itália, Uruguai, Ilha da Madeira (Portugal), Chile, México e Espanha estarão na cidade, dividindo hotéis, restaurantes, teatros e ponto de encontro com 17 produções nacionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Paraná e, é claro, espetáculos gaúchos: 10 concorrendo ao Prêmio Braskem em Cena e outros quatro nas regiões da Descentralização.

Entre os destaques da grade de programação estão Esta Criança, montagem da Companhia Brasileira de teatro com Renata Sorrah no papel principal; A mulher que matou os peixes, montagem francesa com texto de Clarice Lispector; Ah, a Humanidade! E outras boas intenções!, texto de Will Eno que sela a produtiva parceria de dez anos entre o ator Guilherme Weber e o diretor Murilo Hauser; e Não Sobre o Amor, espetáculo com direção de Felipe Hirsch e a presença dos atores Felipe Medeiros, Simone Spoladore e cenografia da premiada Daniela Thomas. A música, como sempre, marca presença com estilo no Poa em Cena. Já na abertura do evento, dia 03 de setembro, o show fica com Zezé Motta interpretando Luiz Melodia e Jards Macalé, em Negra Melodia. A obra do paulistano Luiz Tatit e suas letras/poemas está representada por Zélia Duncan em Tô Tatiando e Adriana Calcanhotto mais uma vez sobe aos palcos do festival, pra deleite do público, em Olhos de Onda.

O Prêmio Braskem em Cena chega em sua 8ª edição e terá sua finalíssima no Theatro São Pedro, onde serão conhecidos os vencedores nas categorias Melhor espetáculo, Melhor direção, Melhor ator, Melhor atriz e Melhor espetáculo/júri popular. Dez montagens porto-alegrenses concorrem ao Braskem em Cena:A Noite Árabe - Verte e Grupojogo, Casa das Especiarias – Terpsi, CNPJ - Uma Comédia Totalmente Ficcional - Teatro Sarcáustico, Coração Randevu - com Zé Adão Barbosa e direção de Patrícia Fagundes,Eu Estive Aqui - Porto Alegre Cia de Dança, Estremeço – Cia Teatro di Stravaganza, Las Cuatro Esquinas- Cia de Flamenco Del Puerto; Natalício Cavalo - Cia Rústica, O Baile do Anastácio – Oigalê; Parafuso de Algodão - Grupo ContraQueda. A grande novidade deste ano é que as peças do Braskem terão duas apresentações, para que público e jurados tenham mais oportunidades de assistir aos espetáculos.

As atividades formativas, sempre tão importantes dentro da programação de um festival, qualificam artistas e instrumentalizam os participantes tanto no aperfeiçoamento de sua profissão quanto na formação de uma plateia qualificada e crítica. A obra de Samuel Beckett, a herança do Teatro do Absurdo, a dança inclusiva e a iluminação e suas nuances estão entre os assuntos desenvolvidos nas oficinas e workshops em 2013. Também um painel abordando a obra de Clarice Lispector está entre as atividades do Poa Em Cena.

Lançamentos de livros e homenagens não poderiam faltar, já que o festival tem muito a agradecer aos artistas e trabalhadores da cultura que contribuem para sua grandeza. A coleção “Gaúchos em Cena” traz a trajetória do ator Carlos Cunha Filho na visão do jornalista e crítico de teatro Renato Mendonça. Dilmar Messias - outra figura importante na cena cultural - recebe homenagem nesta edição e o título de “padrinho” do festival. Diretor do Circo Girassol, Dilmar é responsável por montagens que marcaram o teatro gaúcho é homenageado neste ano. O Poa em Cena traz ainda uma singela homenagem ao grupo folclórico/musical Os Gaúchos, em seus 50 anos de carreira. Na ocasião, será descerrada placa alusiva à trajetória do grupo. Haverá senhas para esta apresentação, que será realizada no Theatro São Pedro, dia 22 de setembro, às 18h, com entrada franca. E dois grupos dos mais tradicionais da cidade também recebem os devidos louros nesta edição: o Ói Nóis Aqui Traveiz, no alto de seus 35 anos, terá a estreia nacional de seu mais novo espetáculo “Medeia Vozes” na grade do festival e o Falos & Stercus, comemorando 22 anos de atividades, apresentará a intervenção urbana “Ilha dos amores – um diálogo sensual com a cidade”. A apresentação encerra o projeto de fomento e pesquisa oferecido pela Prefeitura de Porto Alegre, uma conquista deste atuante e inovador grupo de teatro.

Nas artes visuais, a vídeo instalação Emoções Luminosas – Fragmentos I – Reflexos Mutantes, de Cláudia de Bem estará na Sala Álvaro Moreyra; a mostra Ao Sabor do Vento: exposição de fotografias, uma seleção de fotos do processo criativo do espetáculo Oh os Belos Dias ocupará o foyer do Teatro Renascença e uma exposição de fotos, comemorativa das 20 edições do Festival, está sendo produzida pelo festival em parceria com a Feevale.

O Ciclo Psicanalítica em Cena, tradicional debate sobre os temas abordados nos espetáculos, reunirá diretores, atores e psicanalistas da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre após as apresentações das peçasEsta Criança, Não sobre o amor, Ah, a humanidade! E outras boas intenções, O beijo no asfalto e Sobre o conceito da face no filho de deus. A descentralização, outra marca registrada do Em Cena, levará os espetáculos Maria Teresa e o Javali, Ayê, Serpentina ou Meu Amigo Nélson e O Baile do Anastácio a espaços como a Casa do Artista, parques da cidade e centros comunitários.

Como nas últimas edições, a Casa de Teatro abrigará os encontros entre os grupos, confraternizações e intervenções artísticas. O espaço é Ponto de Encontro do festival desde 2010.


Saiba mais:

www.poaemcena.com.br

poaemcena.blogspot.com.br

www.facebook.com/poaemcena




domingo, 14 de julho de 2013

Derrotar o oligopólio informacional

Por Elaine Tavares, no jornal Brasil de Fato:

O Primeiro Seminário Unificado de Imprensa Sindical, promovido por um grupo de sindicatos de Florianópolis, partiu de uma pergunta, praticamente retórica: por que os trabalhadores não são notícias? Ora, essa questão tem uma resposta óbvia. Vivemos em processo de luta de classe no sistema capitalista que é predador. E, nesse sistema, quem detém o poder é quem determina o que sai na imprensa.

A mídia comercial nada mais é do que uma ventríloqua do sistema. Através das bocas alugadas sai a matéria prima que sustenta a classe dominante. Por isso, as lutas dos trabalhadores não interessam à mídia, a não ser como possibilidade de sujar, embaralhar e enganar a população. Trabalhadores em luta são sempre vândalos, baderneiros, bando. Agora, nos protestos das últimas semanas, em Santa Catarina, ouvimos o coronel da polícia dizer claramente: "protegemos os manifestantes porque não são sindicatos, nem movimentos de trabalhadores, é a sociedade". Ora, e o que são os trabalhadores senão a sociedade? Para a classe dominante não. Assim, compreendendo isso parte do problema se esclarece.

Os trabalhadores não são notícia porque suas lutas não interessam ao sistema. Dito melhor, essas lutas, que aparecem como desestabilizantes, precisam ser escondidas ou deturpadas. Por isso aparece quase como uma ingenuidade a ideia de "mais democracia" nos meios de comunicação. Aos grandes meios não há que pedir melhorias, há que tomá-los! Como? Essa pergunta ainda não tem resposta, mas é para ela que temos de caminhar.

Nesse universo de controle oligopólico da informação por parte dos meios comerciais - seis famílias ou grupos controlam tudo que vemos, lemos e escutamos - estamos nós, os chamados meios alternativos, populares ou comunitários. E a pergunta que se faz necessária é: disputamos, de fato a hegemonia? Uma rádio comunitária, como é o nosso caso do Campeche, que poder tem diante do oligopólio? Como constituir uma audiência que de fato dispute com o Jornal do Almoço ou o RBS Notícias? Podemos fazer isso ou apenas atuamos na resistência?.

A Rádio Campeche se diferencia de muitas rádios comunitárias porque foi criada desde a luta mesma. Nasceu da articulação orgânica de vários movimentos que já atuavam no bairro do Campeche na luta pelo plano diretor, pelo saneamento, pela qualidade de vida. Esses movimentos foram os que decidiram criar a Associação Radio Campeche. Então, ela é fruto legítimo da organização comunitária. Está no ar, 24 horas, desde 2004, embora tenha iniciado sua programação ao vivo só em 2006. Tenho o privilégio de fazer parte do grupo que instituiu o primeiro programa ao vivo, o Campo de Peixe, no ar até hoje.

Nossos programas abrem os microfones para a comunidade e tudo que acontece no sul da ilha passa por ali, embora não tenhamos um programa específico de jornalismo diário. Ainda assim, todos os programas ao vivo tem o compromisso de trazer a voz da comunidade. Alguns conseguem mais outros menos.

Tivemos momentos importantes no bairro que mostram a força da rádio, como no caso do "Bar do Chico", espaço histórico da comunidade que foi derrubado pela prefeitura. Nos dias em que vinham as máquinas, havia uma chamada à população pelos microfones da rádio, as gentes acorriam ao bar, protegendo-o, e isso impediu muitas vezes que a prefeitura o colocasse no chão. Tanto que só conseguiram fazê-lo porque trouxeram as máquinas de madrugada, quando a comunidade dormia.

Também quando ocorrem grandes chuvas e alagamentos, os líderes comunitários aportam na rádio para informar e organizar a comunidade. São coisas que definem o nosso trabalho. Mas, sabemos que 30 segundo no RBS Notícias podem por abaixo todas as informações que divulgamos durante os programas. Um exemplo disso foi a luta que travamos contra a destruição de parte da mata atlântica para a realização de um show do cantor estadunidense Ben Harper.

Durante semanas fizemos campanha contra a derrubada das árvores, pela segurança das gentes e tivemos o apoio da comunidade. Mas, a entrada da RBS no tema fez com que muita gente se voltasse contra nós, acusando-nos de "contra o progresso". Conseguimos barrar a derrubada das árvores, mas o show aconteceu.

Nesse sentido é importante ressaltar que os meios de comunicação comunitários são importantes, é fato, mas, sozinhos, não conseguem competir com eficácia diante da alienação e confusão provocadas pela grande mídia. Nossa única chance como meios alternativos e comunitários é unir as forças e potencializá-las. Essa outra informação, que forma, que contextualiza, que esclarece, precisa estar em rede. Temos de reproduzir uns aos outros, formar grupos, replicar as notícias de cada um. Isso funciona em alguma medida, mas não é suficiente. A verdadeira saída é controlar os meios massivos. E, para isso, o desafio maior é o de mudar o estado, avançar para uma democracia participativa. Vai daí que essa é uma luta gigante a ser travada.

Agora estamos aí discutindo a lei de meios. Essa novidade começou com a Venezuela em 2004 , quando criou uma lei específica da comunicação que foi uma revolução no setor. Mas a Venezuela estava em processo de transformação, com o povo organizado e nas ruas, querendo mudança. Tanto que levaram dois anos discutindo, com ampla participação das gentes, o que resultou numa lei extremamente completa e democrática. Depois vieram leis similares na Argentina, na Bolívia, no Equador. Todos esses países estão em processo de transformação da forma de ser estado, com ampla participação popular nos debates, com movimentos sociais muito fortes, gente com poder de decisão.

No Brasil estamos tentando dar foco nessa questão, mas qual é a nossa chance? Temos uma Federação de Jornalistas extremamente formalista, sem perfil popular, que não encaminha lutas no chão da vida. Temos o fórum de democratização da comunicação e o Intervozes que estão nesses debate, mas são financiados por fundações estrangeiras, do tipo Ford. Isso é problemático, uma vez que sabemos muito bem qual é o papel dessas fundações estadunidenses no mundo: desmobilizar, desfazer, desestruturar.

Temos um Congresso Nacional dos mais conservadores, com ampla bancada de proprietários de meios de comunicação. Assim, como vamos avançar para uma lei de meios se não tivermos uma sociedade em ebulição como é o caso dos países já citados? Se esse debate não se encarnar na vida real, nos movimentos sociais, nos sindicatos, corremos o risco de construir uma lei de meios minotáurica, disforme, formal, não revolucionária.

Então, o papel dos trabalhadores e imprensa sindical é bem mais importante do que apenas compreender como fazer as notícias das lutas saírem nos jornais. Enquanto esses jornais, rádios e TVs estiverem na mão da classe dominante nada vai mudar. É preciso dar combate para construir uma outra forma de ser estado, com verdadeira participação popular. O Vito Gianotte tem falado aí há anos sobre isso, sobre os sindicatos se unirem e construírem veículos massivos de comunicação, mas a gente vê que a coisa não avança. Poucos usam dos seus meios de comunicação para tratar de assuntos fora do mundo do trabalho. Preferem apostar em proselitismo, em discursos vazios.

Os trabalhadores precisam de informação de qualidade, de análise sobre o que acontece no mundo, na aldeia. Eles não são otários. E temos de dar a eles uma "fina iguaria", como dizia o grande repórter Marcos Faermann. Mas, fundamentalmente temos de dar batalha a esse estado, fomentar a rebeldia, a desconstrução, a transformação. Sem isso, só faremos remendos...



10ª edição do 'Oberá en Cortos' começa nesta terça-feira


www.oberaencortos.com.ar

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Festival de Cinema Independente Alemão

Festival de Cinema Independente Alemão chega a Porto Alegre em realização da Fantaspoa Produções e Instituto Goethe


Entre 12 e 21 de julho o público terá acesso a 23 longas-metragens e seis curtas, além de oficina com M. A. Littler



Numa iniciativa do Instituto Goethe e Fantaspoa Produções chega a Porto Alegre o Festival de Cinema Independente Alemão, com curadoria assinada por João Pedro Fleck e Nicolas Tonsho. Entre os dias 12 e 21 de julho de 2013, o evento exibirá, no CineBancários, Cine Santander Cultural e na Sala Eduardo Hirtz da Casa de Cultura Mário Quintana, um total de 23 longas-metragens e seis curtas-metragens independentes alemães. As obras, lançadas na última década, revelam a nova geração de cineastas que não trabalham nos grandes estúdios e realizam filmes com baixo orçamento. Portanto, são filmes marcadamente autorais, cujos diretores se aproveitam de ampla liberdade de criação, explorando estéticas inovadoras, histórias envolventes, técnicas incomuns, entregando ao público obras ricas, originais e, sobretudo, diferenciadas. A iniciativa faz parte das atividades da Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014 e conta com a co-realização da ACCIRS – Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.

O evento apresentará uma retrospectiva da carreira do aclamado diretor M. A. Littler, cuja prolífica obra, que conta com nove longas-metragens dirigidos em menos de quinze anos, é usualmente descrita como uma estranha mistura de cinema autoral europeu, intelectualismo, rock’n’roll e um idiossincrático senso de melancolia. Seus filmes já foram apresentados em alguns dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo, como o Leeds International Film Festival, Fantasia Film Festival, San Francisco Independent Film Festival, Zürich International Film Festival, e Raindance.

Além disso, M. A. Littler ministrará a Oficina de Cinema Maverick, sobre realização fílmica independente. Gratuita e de teor teórico e prático, a oficina terá como produto final um longa-metragem filmado pelos participantes sob a batuta de Littler, o qual será apresentado ao público no encerramento do evento, no dia 21 de julho de 2013.



Oficina de Cinema Maverick, ministrada por M. A Littler


O Cinema Maverick, uma oficina que combina prática e teoria cinematográfica, oferecerá aos participantes um insight realista no mundo maravilhoso, selvagem, e eventualmente enlouquecedor da produção de cinema verdadeiramente independente. O roteirista e diretor M. A. Littler oferecerá uma visão prática, compreensível e realista do processo de realização de filmes de baixo (ou zero) orçamento, guiando os participantes através dos diversos estágios do processo de filmagem. O curso tem o objeto de desmistificar questões do cinema independente, oferecendo conselhos práticos e objetivos para jovens cineastas que têm o objetivo de criar filmes à margem da indústria; e tratará da seguinte questão: como fazer para que meus filmes sejam exibidos internacionalmente e em cinemas alternativos?

Até o momento, M. A. Littler continua trabalhando de maneira marcadamente independente e já finalizou nove longas-metragens, sem ter pretensão de parar. Seu trabalho foi mostrado em festivais de classe A, em cinemas alternativos e em canais de televisão ao redor do planeta. O diretor em questão foi criado no velho mundo, em aeroportos, ferros-velhos, motéis e restaurantes. Já trabalhou como segurança, como taxista, tradutor, roteirista, jornalista e como motorista de ambulância – sempre por um curto espaço de tempo. Em 1999, M. A. Littler fundou a Slowboat Films, um celeiro para o cinema verdadeiramente independente. Em seus filmes e textos, vem mostrando uma afinidade enorme com todos os tipos de outsiders: radicais intelectuais, historiadores fora da lei, artistas marginalizados, músicos obscuros e trapaceiros sagrados. Ao ser questionado sobre isso, ele responde: “me interessam as pessoas que dançam no seu próprio ritmo, figuras que consertam seus rádios com maçaricos”.


Sobre as inscrições da oficina

Para participar é necessário ter disponibilidade entre os dias 13 e 16 de julho. A oficina tem 12 vagas e o preenchimento das mesmas será por candidatura. A oficina é gratuita, será ministrada em inglês e a inscrição deve ser feita até o dia 09 de julho através do envio de um parágrafo justificando o interesse em fazer o curso, currículo e um vídeo de até 5 minutos (através de links de vimeo ou youtube) para o e-mail programador@pranafilmes.com.br. Os selecionados serão informados no dia 11 de julho. A oficina será ministrada sábado, dia 13 de julho, das 10 às 18h30 e domingo, dia 14 de julho, das 13h às 18h30. Os participantes serão convidados a filmar um longa-metragem entre os dias 14 e 16 de julho, que será realizado sob a coordenação (e edição) do ministrante. O filme e será exibido às 19 horas do dia 21 de julho, no encerramento do Festival de Cinema Independente Alemão.


Festival de Cinema Independente Alemão

De 12 a 21 de julho de 2013

CineBancários/ Cine Santander Cultural/ Sala Eduardo Hirtz – CCMQ

Oficina de Cinema Maverick, com M. A Littler – ministrada em inglês

Inscrições até o dia 09 de julho através do envio de um parágrafo justificando o interesse em fazer o curso, currículo e um vídeo de até 5 minutos (através de links de vimeo ou youtube) para o e-mail programador@pranafilmes.com.br




Jornalistas estão com formação política débil, aponta estudo

Nos últimos anos, muitas coisas mudaram na profissão do jornalista. Entre elas, a formação política e a postura crítica, que foram prejudicadas. A afirmação é resultado do estudo feito pela professora e coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT), Roseli Fígaro, junto com os doutorandos Rafael Grohmann e Cláudia Nonato. Segundo Roseli, os profissionais de imprensa são majoritariamente não sindicalizados, de formação política débil e com pouca capacidade de análise.

A pesquisa completa, que começou a ser feita em 2010, será lançada em agosto deste ano. Matéria da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) revela que as conclusões qualitativas foram as que mais espantaram os pesquisadores. Em resumo, apontam para formação humanística fraca e foco muito claro na técnica por parte dos profissionais. De acordo com o pesquisador Rafael Grohman, o que mais chocou foi o depoimento de uma das entrevistadas ao dizer que o curso de jornalismo não poderia ensinar nada mais do que a empresa já tinha feito.

Além disso, há baixa presença do debate do jornalista enquanto profissional nas universidades. “O jornalista poucas vezes se pensa enquanto trabalhador, ele é o super-herói, o salvador da pátria. Acho que o maior crédito do nosso livro é provocar essa discussão. A classe dos jornalistas está trabalhando muito e não está olhando direito para essas questões tão fundamentais”, afirma Grohmann.

Por outro lado, a pesquisa mostra que existe precarização das condições de trabalho e pouco engajamento. “Acredito que isso se dê pela atual situação de empregabilidade e pela precarização desses laços, que tornam a questão da sindicalização e da organização muito frágeis”, explica Roseli.

O estudo ouviu 538 jornalistas no estado de São Paulo por meio de quatro tipos de amostra: profissionais abordados por redes sociais (principalmente via e-mail), profissionais do Sindicato dos Jornalistas, colaboradores contratados por grande empresa editorial e freelancers.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Como se faz cinema?

OFICINA DE CINEMA

A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Santa Rosa abre inscrições para a oficina "Como se faz cinema".

Segundo o release divulgado no Facebook da Secretaria de Cultura, esta será uma oficina de realização de filmes curtos, em vídeo digital, com custo de produção praticamente zero. Os roteiros serão adequados a um tipo de produção simples e dinâmica, assim o aluno vivenciará todas as etapas de desenvolvimento de um filme, na teoria e na prática, para posteriormente poder desenvolver seus próprios projetos.

“Como se faz cinema” terá uma carga horária de 10 horas/aula, será aberta a estudantes e demais interessados, e será ministrada pelo oficineiro Marco Flores.

As oficinas iniciarão em 25 de julho próximo. As inscrições poderão ser efetivadas no Centro Cívico a partir do dia 09 de julho. E serão gratuitas.