sábado, 24 de dezembro de 2011

DURO GOLPE NA CULTURA!

DURO GOLPE NA CULTURA!
Campanha de Veto Parcial ao Art. 27 do Projeto de Lei 410/2011.

Após quase dois anos de trabalho junto à Assembleia Legislativa-RS, com a participação de toda a comunidade cultural, chegamos à redação, aprovada e sancionada em julho de 2010, da Lei 13.490 queInstitui o Sistema Estadual Unificado de Apoio e Fomento às Atividades Culturais - PRÓ-CULTURA. Um dos grandes avanços referia-se ao percentual de contrapartida da empresa patrocinadora, que estabeleceu nova margem de 9,09% sobre os 25% da lei anterior, e com isso, facilitou e facultou o acesso aos patrocínios através da isenção do ICMS.
Entretanto, em regime de urgência e sem comunicar previamente ou permitir a participação dos artistas e produtores culturais, a Assembleia Legislativa aprovou no último dia 22 de dezembro o Projeto de Lei 410/11, que em seu Art. 27 altera a Lei de 2010 e retrocede aos 25% da Lei 10.846 de 1996, lei que criou o Sistema LIC.
Qual seja, depois de muita dedicação, envolvimento e trabalho, vemos uma conquista importante para o desenvolvimento da cultura em nosso Estado receber um duro golpe, e retrocedemos 16 anos de construção e diálogo.
Somos a favor que os outros setores da sociedade gaúcha, e pastas como as da Assistência Social e do Esporte tenham acesso a mecanismo de incentivo fiscal análogo ao da Cultura. O que não admitimos é que tais novos mecanismos, ao contrário de espelhar-se na experiência da nossa LIC, mãe das leis de incentivo no RS, provoque exatamente uma retrocesso às conquistas desta “célula mater” do incentivo fiscal no Rio Grande do Sul.
Afinal, senhores gestores e legisladores, a confortável poltrona na qual vossas senhorias hodiernamente ocupam só fora factível aos vossos generosos glúteos devido ao nosso voto e à confiança que depositamos em vocês.
................
CONCLAMO toda a comunidade artística e cultural a ingressar nesta campanha de VETO PARCIAL ao Projeto de Lei 410/11.
NÃO à nova redação imposta pelo Art. 27 à alínea “b” do Inciso II do § 2º do Art. 6º da Lei 13.490/10, e MANTENHA-SE A REVOGAÇÃO do Art. 8º da mesma Lei como emenda a este dispositivo legal, já que tal artigo fora inserido minutos antes da sua votação de forma arbitrária e autoritária, redigido como processo apartado do exaustivo estudo que gerou o Pró-Cultura.
‘Caríssimo Governador, não traia a nossa confiança’.
fonte: Fernando Keiber

Pontos de cultura sao analisados em novo livro do Ipea

Cultura Viva – As Práticas de Pontos e Pontões foi lançado na Câmara dos Deputados

O Programa Nacional de Cidadania e Cultura Viva, do Ministério da Cultura (MinC), existe desde 2004, e tem atualmente cerca de 3.500 pontos de cultura com implantação em andamento, em mais de mil municípios em todo o território nacional. A experiência desse processo foi analisada da nova publicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lançada nesta quarta-feira, 14, intitulada Cultura Viva – As Práticas de Pontos e Pontões.

O evento ocorreu no auditório da TV Câmara, no prédio principal da Câmara dos Deputados, e foi aberto pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura. Há, segundo ela, grande preocupação por parte dos parlamentares em transformar o programa em uma política de Estado, o que significa dar a ele sustentabilidade programática e orçamentária, por meio de projeto de lei que já tramita na Comissão de Educação e Cultura da Câmara.

“É fundamental que o programa seja fortalecido, mesmo com as limitações orçamentárias. A política cultural é a mais integradora que um país pode ter, e essa análise do Ipea contribui para que tenhamos instrumentos para isso”, manifestou Jandira.

A presidente da comissão parlamentar, deputada Fátima Bezerra, destacou que a comissão está à disposição do MinC para fortalecer a política cultural no país. “O projeto dos pontos e pontões é um dos maiores já realizados e vamos retomar a tramitação da lei no próximo ano”, comprometeu-se. Para ela, o Ipea “mais uma vez dá contribuição importante na discussão do tema”.

Na visão do presidente do Instituto, Marcio Pochmann, o Programa Cultura Viva é contemporâneo das mudanças da sociedade, e exprime o protagonismo do MinC. “Potencializar as diversidades culturais do Brasil vai contra o monopólio cultural dos países desenvolvidos”, ressaltou.

Na análise de Pochmann, o Brasil dos últimos dez anos não é mais guiado majoritariamente pela Região Sudeste. “Estamos testemunhando um novo regionalismo, com o crescimento das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Cada vez mais temos a necessidade de suprir necessidades imateriais da população, e nisso, a cultura é fundamental”, afirmou. A possibilidade de apresentar os resultados do livro favorece o posicionamento do Ipea.

A secretária de Cidadania Cultural do MinC, Márcia Rollemberg, destacou que o país tem vivido importantes avanços para a cultura, e que o momento é de desafio para a secretaria. Ela considerou ainda que os resultados, explicitados na pesquisa que gerou o livro, representam a escuta de segmentos antes ignorados.

Avaliação
Frederico Barbosa, coordenador de Saúde e Cultura da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc/Ipea) fez a apresentação do livro e também do processo de redesenho do Programa Cultura Viva. O objetivo da avaliação foi, de acordo com ele, construir um mapa para mensurar depois o impacto da população em termos financeiro, de inserção e reconhecimento. Para diretriz, usou-se o conceito de “circuito cultural: a produção cultural e o caminho que ela percorre até a chegada à pessoa que vai consumir”.

Ele explicou que para o estudo fosse realizado foram usadas algumas estratégias: aplicação de questionário, redefinição do modelo lógico da teoria do programa e grupo focal. Frederico lembrou que quatro mil servidores e mais de 1.500 voluntários trabalham na política dos pontos de cultura do MinC.

“O Estado não tem instrumentos jurídicos, leis, reflexão de convênio e tipo de prestação de conta, ou os que existem não são adequados para suportar efetivamente as políticas com o desenho e forma de execução do Programa Cultura Viva”, sentenciou.

Práticas
Segundo Barbosa, há tensões conceituais entre os interesses das comunidades e das associações que executam os pontos de cultura. Mas existem obstáculos também com relação à cultura popular: regularização e recuperação de espaços públicos e privados que são apropriados ao longo do tempo. O coordenador acredita que é preciso fazer com que esses espaços sejam reconhecidos como uso dessas culturas.

Desafios
É necessário, para ele, ajustar o programa ao novo formato do novo Plano Plurianual 2012-2015, adequar o programa ao ciclo político conduzido pela presidenta Dilma Rousseff, entre outros pontos.

O destaque que Barbosa dá às ações necessárias são o redesenho do programa considerando a política de continuidade da macrogestão, e analisar os marcos regulatórios do Estado com a sociedade, desenvolvidos nos últimos anos.

Clique aqui para acessar a versão digital do livro Cultura Viva – As Práticas de Pontos e Pontões 

fonte: IPEA acesse: www.ipea.gov.br

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Morre pianista gaucho Roberto Szidon

O pianista brasileiro Roberto Szidon morreu nesta quarta-feira (20), na Alemanha, em decorrência de um ataque cardíaco. 

Nascido em Porto Alegre e radicado na Alemanha desde 1967, Szidon foi um dos grandes músicos da geração de 1970. Estudou composição com Karl Faust e se aperfeiçoou com nomes consagrados como Ilona Kabos e Claudio Arrau. 

Recebeu um prêmio no quarto Centenário do Rio de Janeiro com o LP Rudepoema, sobre a obra de Villa-Lobos, e participou de gravações de peso para a Deutsche Grammophon, uma das mais importante gravadora de música erudita do mundo.

fonte: VideVersus Acesse: http://poncheverde.blogspot.com/

Senado aprova uniformizacao de medidas socioeducativas para adolescente infrator

O Plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (20), projeto de lei da Câmara (PLC 134/2009) - com origem no Executivo - que institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Ao longo de seus 88 artigos, agrupados em três títulos, o projeto estabelece uma série de medidas socioeducativas destinadas à ressocialização de adolescentes em conflito com a lei.

O projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) no início de dezembro, tendo sido também aprovado anteriormente em quatro outras comissões da Casa. Em todas as comissões o projeto recebeu emendas apenas de redação.

O Sinase está surgindo com a missão de uniformizar o processo de apuração de atos infracionais e de aplicação de medidas socioeducativas em todo o país. Por outro lado, recomenda a individualização do plano de execução das ações corretivas, levando em conta as peculiaridades de cada adolescente, como doenças, deficiências ou dependência química.

O princípio da não-discriminação do adolescente, em razão de etnia, gênero, nacionalidade, classe social, orientação religiosa, política ou sexual, é outro norteador das ações socioeducativas do Sinase. Na avaliação do relator do PLC 134/2009 na CCJ, senador Armando Monteiro(PTB-PE), "as crianças e os adolescentes devem ser respeitados nas suas peculiaridades, mas também devem ser educados para a cidadania e a civilidade".

"A criação de um sistema socioeducativo de amplitude nacional, focando a inclusão social do adolescente autor de ato infracional, mostra-se, portanto, bem-vinda", comentou Armando Monteiro, que recomendou a aprovação da matéria nos termos dos pareceres das Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Além de recursos orçamentários, o Sinase deverá ser financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A legislação do Imposto de Renda também será alterada para permitir que contribuintes pessoas físicas e jurídicas realizem doações ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente - também financiador do sistema - e possam deduzi-las integralmente do imposto devido.

Como o Plenário do Senado aprovou a matéria sem novas alterações, mantendo, portanto, as emendas de redação já introduzidas pelas comissões, a matéria seguirá direto à sanção presidencial sem precisar retornar à Câmara dos Deputados.

fonte: João Batista Costa Saraiva (via Facebook)

Aprovado seguro-desemprego para artistas e musicos

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou nesta quarta-feira (21), projeto de lei que prevê a concessão de seguro-desemprego para artistas, músicos e técnicos em espetáculos de diversão. Pela proposta, a categoria terá direito ao benefício no valor de um salário mínimo por até quatro meses. A medida deve beneficiar cerca de 65 mil trabalhadores. 

O projeto foi analisado em decisão terminativa na comissão. Se não receber recurso para ser analisado em plenário em cinco dias, segue para tramitação no Câmara. 

Quem quiser requisitar o auxílio terá de comprovar que trabalhou em atividades da área por, pelo menos, 60 dias nos 12 meses anteriores à data do pedido do benefício e que não está recebendo outro benefício previdenciário de prestação continuada ou auxílio-desemprego. Outra exigência é que tenha efetuado os recolhimentos previdenciários relativos ao período de trabalho e que não tenha renda de qualquer natureza.

fonte: Videversus acesse: http://poncheverde.blogspot.com/

Aprovada Lei Rouanet pra Fenasoja

A 19ª Feira Nacional da Soja – Fenasoja 2012, teve aprovado projeto através da Lei Rouanet. Serão R$ 471 mil para serem investidos em atividades culturais durante a feira. O projeto intitulado ‘Encontro das Artes na Fenasoja 2012’ teve aprovação para a captação total de recursos, com prazo de prestação de contas até o dia 31 de dezembro de 2012.

O Encontro, que ocorrerá no Parque Municipal de Exposições de Santa Rosa , contempla cinco apresentações, incluindo espetáculo de artes cênicas, com o Grupo Tholl, e apresentações de música instrumental, bandas nacionais e talentos locais.

O presidente Elemar Lenz destaca que agora começa o trabalho de captação de recursos junto às organizações habilitadas e com recursos disponíveis para investir em patrocínio através das leis de incentivos, pois somente desta forma poderá ser viabilizada a realização dos espetáculos projetados.

Saiba mais, acesse: www.fenasoja.com

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O livro que desmascarou a imprensa

Por Ricardo Kotscho*


"Se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu".
(Slogan de um antigo jornal de São Paulo, nos tempos pré-internet, que ainda inspira muitos jornalistas brasileiros).

Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem a história da velha mídia brasileira, certamente vão reservar um capítulo especial para o que aconteceu em 2011.

Foi o ano em que um livro desmascarou o que ainda restava de importância e influência da chamada grande imprensa na formação da opinião pública brasileira.

O suicídio coletivo foi provocado pelo lançamento de um livro polêmico, A Privataria Tucana, do premiado repórter Amaury Ribeiro Júnior, com denúncias sobre o destino dado a bilhões de reais na época do processo de privatização promovido nos anos FHC.

Como envolve personagens do alto tucanato em nebulosas viagens de dinheiro pelo mundo, o livro foi primeiro ignorado pelos principais veículos do país, com exceção da revista "Carta Capital" e dos telejornais da Rede Record; nos dias seguintes, os poucos que se atreveram a tocar no assunto se limitaram a detonar o livro e o seu autor.

Sem entrar no mérito da obra, o fato é que, em poucos dias, A Privataria Tucana alcançou o topo dos livros mais vendidos do país e invadiu as redes sociais, tornando-se tema dominante nas rodas de conversa do Brasil que tem acesso à internet.

No final de semana, o fenômeno editorial apareceu nas listas de jornais e revistas, mas não mereceu qualquer resenha ou reportagem sobre o seu conteúdo.

Em 47 anos de trabalho nas principais redações da imprensa brasileira, com exceção da revista "Veja", nunca tinha visto nada igual, nem mesmo na época da ditadura militar, quando a gente não era proibido de escrever - apenas, os censores não deixavam publicar.

Foi como se todos houvessem combinado que o livro simplesmente não existiria. Esqueceram-se que há alguns anos o mundo foi revolucionado por um negócio chamado internet, em que todos nos tornamos emissores e receptores de informações, tornando-se impossível esconder qualquer notícia.

O que mais me espantou foi o silêncio dos principais colunistas e blogueiros do país - falo dos profissionais considerados sérios -, muitos deles meus amigos e mestres no ofício, que sempre preservaram sua independência, mesmo quando discordavam da posição editorial da empresa onde estão trabalhando.

Nenhum deles ousou escrever, nem bem nem mal, sobre A Privataria Tucana, com a honrosa exceção de José Simão, o mais sério de todos eles.

Alguns ainda tentaram dar alguma desculpa esfarrapada, como falta de tempo para ler e investigar os documentos publicados no livro, mas a grande maioria simplesmente saiu por aí assobiando e mudando de assunto.

O que aconteceu? Faz algum tempo, as entidades representativas da velha mídia criaram o Instituto Millenium, uma instituição voltada à defesa dos seus interesses e negócios, o que é muito justo.

Sob a bandeira da "defesa da liberdade de expressão", segundo eles sempre ameaçada por malfeitores do PT e de setores do governo federal, os barões da mídia promoveram vários saraus para denunciar os perigos que enfrentavam. O principal deles, claro, era "a volta da censura".

Pois a censura voltou a imperar escandalosamente na semana passada. Só que, desta vez, não promovida por orgãos do Estado, mas pelas próprias empresas jornalísticas abrigadas no Instituto Millenium. Os antigos donos do poder midiático decidiram apagar do mapa, não uma reportagem ou uma foto, mas um livro.

O episódio certamente será um divisor de águas no relacionamento entre a grande imprensa e seus clientes. Por mais que cada vez menos gente acreditasse nessa conversa, seus porta-vozes sempre insistiam em nos garantir que a mídia grande era independente, apartidária, isenta, preocupada apenas em contar o que está acontecendo e denunciar os malfeitos do governo, em defesa do interesse nacional e da felicidade de todos.

Agora, caiu definitivamente a máscara. Neste final de semana, ouvi de várias pessoas, em diferentes ambientes, que vão cancelar assinaturas de publicações em que não confiam mais.

Como jornalista ainda apaixonado pela profissão, fico triste com tudo isso, mas não posso brigar com os fatos. Foi vergonhoso ver o que aconteceu e não deu para esconder. Graças à internet, todo mundo ficou sabendo.

E agora? O que vão dizer aos seus ouvintes, leitores e telespectadores? Que tudo não passou de um engano, uma ilusão de ótica? Vão publicar um "erramos" coletivo ou vai ficar tudo por isso mesmo?

(*) Ricardo Kotscho é jornalista do blog "Balaio do Kotscho"

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Chrome 15 passa IE8 e eh o mais popular

Pesquisa do instituto StatCounter indica que o navegador Chrome 15, do Google, está à frente do Internet Explorer 8 em participação de mercado, sendo o browser mais popular do mundo.

Dados contabilizados entre 21 e 27 de novembro mostram que a versão somou 23,63% de participação no mercado, ante 23,5% do modelo da Microsoft.

Já o Firefox 8 ocupa um distante terceiro lugar, com 12,2%.

Segundo o site IDG Now, essa é a primeira vez que o software da Google bate uma versão do Internet Explorer. Entre 5 e 11 de dezembro, ele não só bateu o IE8 na média geral, como também o superou nos dias úteis.

Nos Estados Unidos, o IE8 ainda é o mais popular: com 27% de share em dezembro, ante 18,1% do rival. No Brasil, porém, o Chrome já é o líder do mercado, com quase 40% de participação.

Em geral, no entanto, o Internet Explorer segue sendo o mais utilizado no mundo, quando levadas em consideração todas as versões do navegador. Em novembro, o IE teve 40,63% de participação, ainda na liderança do mercado.

O Chrome, no entanto, passou o Firefox nesse mês, fechando em 25,96%, frente 25,23% sobre a Mozilla.

A capa da edicao #33


O perfeito imbecil politicamente incorreto


Em 1996, três jornalistas –entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:

1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.

2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.

3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.

Texto de Cynara Menezes.

Patrimonio historico

PROJETO DE AMPLIAÇÃO DA CÂMARA É FINALIZADO

O projeto arquitetônico vem assinado pelas Arquitetas Camila Preissler e Luciana Locatelli, leia-se Estúdio 55 Arquitetura e Urbanismo, vencedora da licitação para reforma e ampliação do novo anexo do prédio do Legislativo Municipal.

O novo anexo terá 525 m2 de área construída e abrigará, além dos novos gabinetes parlamentares, uma sala para as reuniões das Comissões Permanentes, sala de espera, banheiros, garagem e a ampliação e redistribuição da atual estrutura administrativa da Câmara de Vereadores.

O projeto também prevê a ampliação do Plenário Étore Alberto Beltrame e dos seus acessos principais para readequação as novas normas técnicas. Está incluída na proposta a construção do Memorial do Legislativo, que receberá novos documentos históricos a partir da finalização das obras e, um espaço destinado a receber exposições artísticas.

Os quatro novos pavimentos serão construídos nos fundos do atual pré dio, no entanto, explica Camila Preissler, especialista em patrimônio histórico, “não haverá uma interferência muito acentuada na arquitetura do atual prédio, pois procuramos harmonizar a nova estrutura com o valor histórico e arquitetônico existente no prédio da Câmara de Santa Rosa”.

Segundo Joel Faccin, responsável pela Comissão de Licitação, “tão logo seja finalizado os demais projetos (hidráulico, elétrico, rede lógica, prevenção de incêndio e planta baixa) será aberto um expediente para abertura da tomada de preço. A previsão da entrega do projeto finalizado está previsto para a segunda quinzena de janeiro de 2012.

fonte: Assessoria de Imprensa/CMVSR

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Lancamento da edicao #33

O Editor da Revista Afinal tem o prazer de convidar os anunciantes, leitores e amigos para o lançamento festivo da Edição #33.


Quando? Nesta 4ª feira - dia 21/12

Horário: a partir das 20h30

Local: Banana Pastel


Porque conteúdo é essencial!

... Sim! Haverá cervejinhas geladas e salgadinhos para degustar! 
#bora!

Manual de justificativas pra velha midia alegar por que deixou passar em branco o livro do Amaury

por Emir Sader

1. Pensei que era tudo legal, por isso não demos naquele momento.

2. Faltou tempo.

3. Faltou espaço.

4. Faltou vergonha.

5. O FHC disse que tudo tinha sido bem feito e era pelo bem do Brasil.

6. Já tinha resenha do livro do FHC.

7. O Serra ligou e pediu pra não dar nada.

8. Achamos que ia ficar chato pra nós.

9. Achamos que as Veronicas iam ficar muito mal.

10. Não achamos que ia dar público.

11. Deixamos pra dar mais tarde.

12. Não gostamos de matérias sensacionalistas.

13. Já tinha saído na mídia alternativa.

14. Isso é trololó do PT.

15. Se privatização fosse ruim, o FHC não teria feito.

16. Nós somos empresas privadas, gostamos disso.

17. Nós apoiamos na hora, somos coerentes, não íamos mudar de ideia só porque nos provem o contrário.

18. Deu preguiça de ler aquele troço todo.

19. Já escondemos tanta coisa, uma a mais, uma a menos...

20. As empresas estão melhor (pra nós) na mão de capitais privados.

21. Ia ficar mal pra nós.

Kleiton & Kledir e Orquestra Unisinos


Kleiton & Kledir e Orquestra Unisinos são atrações de Natal
em Santa Rosa nesta quinta-feira


É nesta quinta-feira (22/12), o espetáculo “Kleiton & Kledir e Orquestra Unisinos”, em Santa Rosa. O encontro acontece no Centro Cívico e Cultural Antônio Carlos Borges (Rua Buenos Aires, 945), a partir das 21h, e o ingresso é a doação de 1kg de alimento não perecível.

No show, a Orquestra Unisinos, composta por 21 integrantes regidos pelo maestro Evandro Matté, apresenta diversos clássicos natalinos. A dupla Kleiton & Kledir fará uma participação especial com as músicas “Capaz”, “Fonte de Saúde”, “Canção da Meia Noite”, “Deu Pra Ti”, “Vira Virou” e canções do músico Vitor Ramil como “Vento Negro” e “Estrela, Estrela”.

Para a realização do espetáculo, o Sesc conta com a parceria do Sindilojas Santa Rosa. Mais informações sobre as atrações do Arte Sesc – Cultura por toda parte em Santa Rosa podem ser obtidas pelo telefone (55) 3512-6044 .

Por um Natal sem neve na TV

Laurindo Lalo Leal Filho*


(*) Artigo públicado originalmente na edição de dezembro da Revista do Brasil.


O final de ano na TV é sempre previsível. A propaganda cresce e os programas se repetem. São filmes com muita neve, os mesmos musicais e as infalíveis resenhas jornalísticas.

A televisão no Brasil não dita apenas hábitos, costumes e valores mas também o ritmo de vida da maioria da população. Nos dias úteis com seus horários para “donas de casa”, crianças e adultos e nos fins de semana, com uma programação diferenciada, supostamente mais adaptada ao lazer.

Mas não fica ai. A TV organiza também as comemorações das efemérides ao longo do ano, das quais o ponto alto é o Natal. Com muita antecedência saltam da tela canções da época e muita propaganda, criando clima para o “espírito natalino”.

As crianças são o alvo principal da publicidade. Se já são bombardeadas com apelos de compra o ano todo, no Natal a pressão cresce.

Apresentadoras joviais e alegres conquistam a confiança dos pequenos telespectadores com seus dotes artísticos para, em seguida, atraí-los para as compras, no mais das vezes, desnecessárias. Da classe média para cima é comum ver crianças com brinquedos pouco ou nada usados, comprados apenas como resposta aos apelos publicitários.

Mas a TV não está só nas casas de quem pode comprar. Hoje ela é um bem universalizado no Brasil, advindo dai a sensação de exclusão sofrida por crianças cujas famílias estão impossibilitadas de satisfazer seus desejos. Esse desconforto resulta da crença de que o consumo é um valor em si, substituto da cidadania. Só é cidadão quem consome.

“O que singulariza a grande corporação da mídia é que ela realiza limpidamente a metamorfose da mercadoria em ideologia, do mercado em democracia, do consumismo em cidadania” diz o professor Octávio Ianni no “Príncipe Eletrônico”, artigo que se tornou referência para a discussão do papel político da comunicação nas sociedade modernas.

No Natal a metamorfose atinge o auge e segue até a virada do ano. As mercadorias ganham vida na TV e estão à disposição para satisfazer todos os nossos desejos, o mercado oferece democraticamente a todos os mesmos produtos e ao consumi-los exerceríamos nossos direitos de cidadãos. São falácias muito bem embaladas em luz, cores e sons sedutores.

As regras do jogo são essas. Quem mantém as TVs comerciais são os anunciantes. Mas, apesar disso, as emissoras poderiam ter um pouco mais de criatividade. Não há Natal na TV brasileira sem a milésima reprise do filme “Esqueceram de mim”, com neve em quase todas as cenas ou sem o indefectível “especial”, sempre com o mesmo cantor.

Dessa mesmice nem o jornalismo escapa. As chamadas resenhas de final de ano não são mais do que colagens em forma de “clips”, usadas mais para reviver sustos já sofridos pelo telespectador do que para informar. Em determinado ano, que pode ser qualquer um, o apresentador famoso abria a resenha na principal rede de TV exclamando: “um ano de arrepiar em todo o planeta. Incêndios, terremotos, furacões”. E dá-lhe imagens espetaculares que, de notícia, pouco tem.

Podia ser diferente? Claro que sim. Poderíamos ter na TV um Natal mais brasileiro e um final de ano criativo (com a publicidade mais controlada). Realizadores não faltam, o que faltam são oportunidades para mostrarem seus trabalhos. Mais de 200 deles apresentaram pilotos de programas no Festival Internacional de Televisão, realizado em novembro no Rio. Não haveria ai gente capaz de tirar a televisão da rotina desta época?

Criatividade é o que não falta na produção audiovisual brasileira. Precisamos é de ousadia para mostrá-la ao público oferecendo bens culturais capazes de enriquecê-lo espiritualmente. Ou como dizia um diretor da BBC, a melhor TV do mundo: “temos a obrigação de despertar o público para idéias e gostos culturais menos familiares, ampliando mentes e horizontes, e talvez desafiando suposições existentes acerca da vida, da moralidade e da sociedade. A televisão pode, também, elevar a qualidade de vida do telespectador, em vez de meramente puxá-lo para o rotineiro”.

Belo desafio, não? Feliz Natal.

(*) Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

fonte: www.cartamaior.com.br 

domingo, 18 de dezembro de 2011

Os velhos vicios da urgencia

Por Luciano Martins Costa

Corrupção e crise econômica mundial foram os temas predominantes na imprensa brasileira durante este ano. Se estendermos o período de observação, vamos chegar à conclusão de que o tema corrupção domina o noticiário como pauta mais frequente há pelo menos seis anos, e as instabilidades da economia estão presentes na rotina da imprensa desde setembro de 2008.


No entanto, observa-se que em nenhum momento a imprensa conseguiu ou pretendeu apresentar ao público análises capazes de desvendar tanto as raízes da crise financeira global como a natureza mais profundas da corrupção no Brasil.

O noticiário tem como características principais o imediatismo, a superficialidade e a fragmentação. Não se pode esquecer que é da natureza do jornalismo diário o eterno combate entre a urgência e a profundidade. Pois é justamente na resolução desse dilema que reside a capacidade da imprensa tradicional de manter sua relevância no mundo contemporâneo.

Sem discussão

O amadurecimento das novas tecnologias de informação deveria ser uma oportunidade para os jornais investirem em grandes reportagens. Pode-se aproveitar as amplas possibilidades da comunicação multimídia na internet, utilizando o meio digital como instrumento para suprir a demanda da urgência, consolidar o tema no meio papel e remeter o leitor de volta à internet para informações complementares, com acesso a bancos de dados, arquivos de som e vídeo, análises e estatísticas.

Mas, nesse período, foram raras as ocasiões em que os chamados jornais de circulação nacional aproveitaram esses recursos para brindar seus leitores com conteúdos mais consistentes.

No caso do noticiário sobre a crise financeira internacional, por exemplo, a imprensa chegou a divulgar informações sobre o comprometimento das agências de avaliação de risco em possíveis fraudes ou omissões que mantiveram o mercado americano de ações aquecido artificialmente. Mas não seguiu explorando esse filão.

Também foram poucas as referências ao sistema de remuneração dos executivos nos grandes bancos dos Estados Unidos, que levou à estratégia desastrada da busca de resultados em curtíssimo prazo.

Em quase todos os casos, o material mais crítico em relação à falta de sustentabilidade do sistema econômico mundial foi produzido por analistas estrangeiros ou por agências internacionais.

Essa constatação impõe uma conclusão: a imprensa brasileira, de modo geral, se nega a discutir o sistema capitalista.

Jogando o jogo

Quanto ao noticiário sobre a corrupção, é evidente a mesma falha, que se caracteriza pela incapacidade ou desinteresse da imprensa em discutir sistemas. A maioria das pesquisas de entidades que se dedicam a estudar a ação de organizações criminosas dentro das instituições públicas – como a Transparência Internacional, Artigo 19, Instituto Ethos, Amaribo ou Movimento Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral – apontam para a compreensão da corrupção como um problema sistêmico e não como uma questão moral circunstancial.

Pois a cobertura da imprensa brasileira se caracteriza pela abordagem pontual, fragmentada e seletiva do tema. Quando admitem avançar na abordagem, os jornais procuram convencer o leitor de que a corrupção é um fenômeno restrito basicamente ao governo federal, com origem na política de alianças partidárias e no sistema de financiamento de campanhas. Essa visão produz nos cidadãos um sentimento de indignação difuso, tornando difícil superar a contradição entre a sensação de bem-estar criada pela ação governamental com relação à economia, e o mal-estar produzido pelo noticiário sobre corrupção.

Sem interesse

Esses sentimentos contraditórios causam uma indignação sem objeto específico, paralisam a sociedade e desmoralizam a democracia, porque a percepção geral é de que todos os políticos são ladrões ou apenas esperam uma oportunidade para meter a mão no dinheiro público.

Portanto, não há uma direção clara para onde conduzir o desejo de mudança. Ao mesmo tempo, a imprensa estimula a consolidação de uma cultura política personalista, que dissimula os problemas estruturais do sistema representativo. Com isso, embora faça campanhas formais em favor da consciência de cidadania, a ação objetiva da imprensa se dá no sentido contrário.

A omissão da chamada grande imprensa brasileira em discutir sistemas segue sendo seu principal pecado. Pode-se especular sobre as razões dessa deficiência, mas acerta quem imaginar que a imprensa, como sistema corporativo, é beneficiária desse jogo de poder e por esse motivo não tem interesse em reformas no sistema.

sábado, 17 de dezembro de 2011

A lide do lead

Por Vandré Abreu


Foi em meados da década de 1920 que o americano Walter Lippmann publicou seu livro Opinião Pública e, desde então, o jornalismo foi o mesmo. Como a tendência é culpar o autor da ideia, seria fácil colocar em Lippmann todas as cruzes do jornalismo hegemônico, conservador e “caixote”. Esse jornalismo de protocolo. Mas bem, não foi ele. A culpa é de quem venera esse jornalismo, a começar pelo tão afamado lead e a continuar com a tal da pirâmide invertida. Ambos com aquela ideia de informações básicas e cruciais no início do texto e aumentar a desimportância até que você possa mesmo excluir o último parágrafo.

O erro aí é filosófico. Porque a justificativa é que isso “prende” o leitor e ajuda no entendimento do texto. Mas na prática a gente descobre que ninguém pensa nisso e nem é a verdade. Essas práticas só são boas porque facilitam a vida dos preguiçosos e de editores que querem logo fazer o título da matéria, o olho, a legenda da foto e a chamada da capa. Sem ter que ler o texto inteiro, claro. E também de poder apagar os últimos parágrafos para o texto caber no espaço destinado porque, bem, teoricamente aquilo tudo é desimportante. Mas o argumento é: se fosse desimportante, nem teria sido escrito.

Mas há a questão do espaço, de disponibilizar texto àquela determinada caixa separada exclusivamente para tais fatos, ou seja, toda aquela história deve caber ali. E aí tudo se encaixa: a facilidade para compor uma página, colocando uma caixa em cima da outra. O mesmo vale para o texto. Só que a pilha é invertida e, daí, a tal da pirâmide ser ao contrário. De modo que se retire a última “caixa”. Uma imensa bobagem, tão logo se sabe. Porque um texto não é formal. Aí recorremos àquela velha discussão literária entre formalistas e estruturalistas. Velha não, acabada. Finda. Porque não há mais espaço para o debate.

Conflitos éticos

Toda e qualquer teoria literária (e aí se entende todo e qualquer texto ou linguagem) sabe da importância de toda a estrutura, o contexto, essa coisa toda. E que forma só deve ser levada em conta se fundamental. O que é poucas vezes. A lide que se tem com o lead é cada vez mais imposta e cada vez menos questionada. Virou o protocolo: lead, sublead e blablablá. Em algum lugar nesse tempo pós-Lippmann, faculdades de Jornalismo e jornalistas inventaram que esta é a técnica a ser seguida, apesar de negarem de pés juntos o jornalismo como uma ciência.

Digamos que tudo bem e que esta seja a lei. Mas qual é a atividade que em quase 100 anos não mudou, apurou ou questionou suas técnicas? Acho difícil que um médico realize cirurgias de modo idêntico ao que se fazia na década de 1920, mesmo que a técnica fosse revolucionária para a época. Mas aos jornalistas, por convenção e facilidade, não é dada a chance de argumentar os propósitos. E talvez aí se encaixe o não entendimento do jornalismo como ciência, já que não há debate sobre o fazer jornalístico. Quando há, fala-se estritamente de ética. E aí voltamos à questão da estrutura, do contexto, desse encaixe.

Um grande erro é achar que a profissão concede aos jornalistas a capacidade de decidir o que é mais importante e elencar ou ranquear essas “importâncias” em meio aos textos, falas ou ordem das páginas. Isso mesmo, bem anos 1920. No entanto, a profissão só concede mesmo a ação de informar. E podemos passar a vida discutindo a importância de uma informação em relação a outra e entraremos também em conflitos éticos, que se iniciam nas coisas sensacionalistas (ou é deveras importante para a sociedade saber que um acusado de abusar sexualmente dos filhos é homossexual?). Mas isso já é o último parágrafo e deve ser descartado. Leiam só o primeiro. Onde está o lead?

***
[Vandré Abreu é jornalista, Goiânia, GO]


fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br 

O livro e a imprensa, um ponto de ruptura

Por Luciano Martins Costa

Esta semana marca um ponto de ruptura da imprensa brasileira tradicional, aquela chamada de circulação nacional. O fato de os principais jornais do país haverem ignorado o tópico mais divulgado na internet – o livro que denuncia atividades criminosas atribuídas a familiares e pessoas próximas do ex-governador José Serra – representa uma declaração pública de que a imprensa tradicional não considera relevante o ambiente midiático representado por blogs, sites independentes de empresas de mídia e grupos de discussões nas redes sociais.

A fidelidade canina das grandes empresas de comunicação ao político Serra é um caso a ser investigado por jornalistas e analisado por cientistas políticos. Na medida em que essa fidelidade chega ao ponto de levar as bravas redações – sempre animadas para publicizar toda espécie de malfeitoria envolvendo protagonistas do poder – a fingir que não tem qualquer relevância o fenômeno editorial intitulado A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., cria-se um precedente cujas consequências não se pode ainda avaliar.

Por iniciativa da imprensa tradicional, aprofunda-se o fosso que a separa da mídia alternativa.

Debate aberto

Não que tenha arrefecido o ímpeto dos jornais por dar repercussão a todo tipo de denúncia: estão nas primeiras páginas, nas edições de quinta-feira (15/12), o ministro Fernando Pimentel, o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz e o publicitário Marcos Valério.

Cada um desses personagens tem uma história a explicar para a sociedade, mas a imprensa, ao proceder com tão escancarado desequilíbrio nos critérios de edição, se desqualifica como meio legítimo para mediar a questão com a sociedade.

Não se pode escapar à evidência de que a imprensa realiza um esforço corporativo para apresentar ao seu público um cardápio restrito de escândalos, quando o prato mais apetitoso vende milhares de exemplares de livros, produz um mercado paralelo de cópias piratas e manifesta o desejo do público de saber mais.

O silêncio da imprensa prejudica as chances do ex-governador José Serra de contestar as acusações apresentadas no livro contra sua filha, seu genro, o coordenador de suas campanhas eleitorais e outros personagens ligados ao seu núcleo de ação política.

Paralelamente, amplia o raio de conflitos entre as empresas de comunicação e a categoria profissional dos jornalistas, muitos dos quais são ativos participantes nos debates sobre o livro de Amaury Ribeiro Jr.

Fugindo da boa história

A origem do esquema investigado pelo autor de A Privataria Tucana se confunde com o ponto em que a imprensa tradicional perdeu o interesse pelo caso do Banestado – provavelmente a matriz de todos os crimes financeiros revelados ou semiocultos no Brasil nos últimos quinze anos. Por essa razão, aumenta a curiosidade geral em torno da recusa da imprensa em reabrir esse caso através da janela criada com o livro de Ribeiro Jr.

A partir deste ponto, torna-se legítima qualquer desconfiança sobre o real interesse da chamada grande imprensa em ver desvendadas as denúncias de corrupção que ela própria divulga. Não há mais dúvida razoável de que essas denúncias são publicadas de maneira seletiva.

O mapa aberto pelo livro de Ribeiro Jr., pelo que já se deu a conhecer, complementa reportagens já publicadas sobre crimes financeiros em geral, mas principalmente sobre aqueles que têm como vítima o patrimônio público. Em geral, as reportagens sobre aquilo que agora é chamado de malfeito esmaecem quando o caso se transforma em processo formal na Justiça.

Estranhamente, quando surge a possibilidade de oferecer ao público o acompanhamento das conclusões, a imprensa sai de campo. Observe-se, por exemplo, que o chamado caso “mensalão” está para ser prescrito e há um hiato no noticiário entre a aceitação da denúncia e a prescrição.

No caso Banestado, assim como no livro-reportagem de Amaury Ribeiro Jr., o mais importante é a revelação do esquema de lavagem de dinheiro, com o mapa dos caminhos que o dinheiro sujo realiza por paraísos fiscais e contas suspeitas. Trata-se do mesmo esquema utilizado pelos financiadores ocultos do narcotráfico, pelos corruptos e corruptores e por cidadãos acima de qualquer suspeita.

Se desse curso às pistas levantadas no livro de Ribeiro Jr., a imprensa poderia construir histórias muito interessantes – por exemplo, ao identificar consultores jurídicos especializados em lavagem de dinheiro que costumam frequentar páginas mais nobres dos jornais.

A omissão da imprensa em relação ao fenômeno editorial do ano é também a renúncia ao bom jornalismo.

Arte sem Sergio Brito


Morre ator e diretor Sérgio Britto aos 88 anos


O ator e diretor Sérgio Britto morreu na manhã de hoje (17), por volta das 6h30, no Rio de Janeiro, aos 88 anos. Ele sofria com problemas cardiorrespiratórios e estava internado há um mês no Hospital Copa D'Or. A causa da morte foi dada como insuficiência respiratória aguda.

Brito foi uma das personalidades mais importantes na história do teatro brasileiro. Atualmente, era apresentador na TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), do programa Arte com Sérgio Britto.

Ele foi o criador, diretor e ator do Grande Teatro Tupi, que foi ao ar por mais de dez anos na extinta TV Tupi. O ator se consagrou, no entanto, no teatro, onde recebeu diversos prêmios. Em 2010, lançou a autobiografia O Teatro e Eu.

Filho

“Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior acto de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de estar a agir correctamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”.

[Definição de FILHO por José Saramago]