quinta-feira, 16 de julho de 2015

NÃO SE PODE COMPRAR OU VENDER. PORTANTO, NÃO VALE NADA





Essa lógica é a origem e a causa dos principais problemas da nossa época.
No decorrer dessa semana de chuvas intensas e ameaça iminente de novas enchentes históricas nas margens do Rio Uruguai, somos levados a refletir sobre a questão das barragens. Embora alguns apregoem que elas seriam úteis para evitar enchentes, o que temos observado na prática é justamente o contrário. As enchentes têm aumentado em número e intensidade, e as empresas que administram as barragens não hesitam em abrir as suas comportas em momentos críticos, mesmo sabendo que a vazão das águas afogará plantações, criações, lares, sonhos e esperanças da população ribeirinha.
Enquanto as grandes empresas e seus acionistas comemoram o aumento da produção da energia mais barata do mundo, os trabalhadores seguem pagando a tarifa mais cara do mundo.

A contradição não é diferente da que ocorre com as metalúrgicas da região. Apesar dos lucros estrondosos que tiveram nos últimos anos, ao primeiro sinal de uma oportuníssima “crise”, demitem trabalhadores em massa.
Os bancos, em nível nacional, já estão demitindo e aumentando a sobrecarga de trabalho sobre as vidas e a saúde dos trabalhadores mesmo com o aumento constante dos lucros. Não é difícil imaginar o que ocorrerá caso a “crise” atinja os bancos.
Fato é que as vidas humanas não têm preço, certo? Logo, não valem nada. Essa é a lógica.
Que respeitemos a ergonomia e as normas de segurança do trabalho, que tomemos a medicação psiquiátrica receitada pelos profissionais de qualquer especialidade, que sejamos produtivos, que cumpramos as (nossas?) metas, que sejamos fortes, sejamos dignos, cultos, equilibrados, racionais... Que neguemos nossa humanidade enquanto aguentarmos, e depois...

Absolutamente tudo pode ser relativizado, exceto a necessidade de aumento do lucro das grandes empresas e o crescimento do PIB de alguns países.
Não precisa ser um gênio da matemática pra entender que esse modelo não se sustenta sem guerras, genocídios, miséria e destruição ambiental. Não precisa ser comunista pra entender o quanto o capitalismo é desumano. Não precisa ser historiador pra saber que nem sempre foi assim e não será assim pra sempre.
Superar esse modelo é o nosso papel histórico, enquanto classe trabalhadora. É nossa responsabilidade. Afinal, que mundo deixaremos pras futuras gerações?


*Letícia Raddatz é bancária, dirigente sindical, advogada, estudante de história, socialista e feminista.


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