terça-feira, 7 de janeiro de 2014

SAÚDE DO HOMEM




por Alexsander Kucharski*

No mês passado (N.E.: o texto foi escrito em dezembro) tivemos vários eventos referentes ao “novembro azul”. Assim como temos o “outubro rosa”, que é um mês dedicado a prevenção do câncer de mama, novembro é dedicado a prevenção do câncer de próstata. 


O câncer de próstata é um tumor em que a incidência aumenta gradativamente com o avançar da idade, principalmente após os 50 anos. Sua prevalência é maior em homens com parentes de primeiro grau que tiveram a doença. Sua evolução é lenta, o que em tese permitiria um planejamento do tratamento com certa tranquilidade, mas infelizmente muitas vezes o diagnóstico é feito tardiamente e por isso, para essas pessoas a letalidade é alta. Isso acontece devido à relação que os homens têm com seu corpo, fazendo com que retardem a ida ao médico para fazer o exame de próstata e outros exames de rotina. 

No século passado as mulheres iniciaram um grande movimento social para mudar a visão que a sociedade tinha das mesmas. Graças a este movimento as mulheres tiveram o direito a trabalhar, direitos políticos para poderem votar e serem votadas, e direitos em relação ao seu corpo. Por incrível que pareça, as mulheres não tinham direito aos cuidados consigo mesmas, a ter o número de filhos que quisessem e até mesmo ao prazer sexual. Por isso, no setor de saúde houve toda uma reestruturação para o cuidado com a mulher tais como planejamento familiar, com distribuição de métodos anticonceptivos, programas de prevenção dos cânceres de mama e colo de útero, e de pré-natal e puericultura. Por tudo isso a mulher de hoje não é a mesma de outrora. 

Os homens, por sua vez, passaram este período como espectadores passivos da evolução das mulheres, e continuaram a se comportar da mesma forma, sem questionar seu papel na sociedade.

Por isso ainda hoje existe uma ideia prevalente de que os homens (e em especial os gaúchos) devem sair em seus carros pelas ruas pensando que são os caudilhos da revolução farroupilha. São machos, cheios de testosterona, andando em alta velocidade, sempre prontos para enfrentar o perigo, e não dispensando uma boa peleia. 

Para essa figura estereotipada de homem não há espaço para qualquer tipo de sofrimento físico ou mental, nada pode abalar essa imagem de “forte”. Por isso a negação das doenças, pela não procura dos profissionais de saúde. Não fazem revisões periódicas e quando é detectado algum problema, abandonam o tratamento. 

Os homens adoecem e morrem mais por acidentes domésticos, de trânsito, da prática de esportes e de trabalho, por violência, uso de drogas (álcool, cigarro e outras), doenças sexualmente transmissíveis e doenças crônicas muito mais que as mulheres. Quem quiser comprovar vá a um baile de terceira idade e veja a proporção entre homens e mulheres. 

O homem de hoje sofre porque, ao contrário das mulheres, não fez sua mudança interna, não se atualizou, é o mesmo de sempre. E sofre calado, porque “homem não chora”. 

Por esse motivo o Ministério da Saúde lançou um programa específico para o cuidado com a saúde do homem, enfocando todos os aspectos citados anteriormente. 

O mundo mudou, e se nós, homens, não acompanharmos esses avanços vamos ficar para trás e sofrer as consequências. Nenhum homem é mais homem que outro por fumar ou beber ou usar outras “cositas” a mais, por transgredir leis de trânsito ou não levar desaforo para casa; e ninguém vai deixar de ser homem se comer umas folhas verdes nas refeições, se fizer exercícios, se admitir que as vezes sofre por dor física ou mágoa, e se de vez em quando consultar com um médico e fizer uns exames de rotina entre eles o tão temido “exame de próstata”.


*Alexsander Kucharski é médico de Família e Comunidade. Atende na Clínica Ostaclin, em Santa Rosa.

Horizontina prepara o 16º Jepp Country

SMICT abre edital para expositores do Jeep Country 2014


HORIZONTINA Está aberto até 27 de janeiro, o edital para as empresas interessadas em expor na feira Horizontina em Exposição fazerem sua habilitação, junto a Secretaria da Indústria e Comércio, o que confere as mesmas o direito à exposição gratuita no Pavilhão II do Parque de Eventos João Borges.

A feira Horizontina em Exposição acontece em paralelo ao 16º Jeep Country, promoção tradicional do Jeep Clube Horizontina e que traz ao município apreciadores do esporte 4x4 off Road de quatro estados brasileiros e países vizinhos como a Argentina e Paraguai.

O evento será dia 28 de fevereiro, 01 e 02 de março. Para habilitar-se aos espaços gratuitos e que são limitados, a empresa expositora deverá cumprir alguns requisitos, comprovando os mesmos com documentação pertinente.

Podem habilitar-se aos incentivos previstos no edital 001/2014, empresas estabelecidas no município de Horizontina e que apresentarem: Cópia de estatuto ou contrato social; cartão do CNPJ; Certidão Negativa de Débitos referentes a tributos federais, estaduais e municipais e Certidão Negativa de Débitos de INSS e FGTS.

A classificação será por ordem de entrega da documentação exigida. Mais informações podem ser obtidas junto a Secretaria da Indústria Comércio e Turismo, na avenida Uruguai, antiga sede da Caixa Federal.

O 16º Jeep Country tem entre os promotores além do Jeep Clube Horizontina fundador do evento; Aciap e Prefeitura Municipal, com apoio da Câmara Municipal de Vereadores e Rádio Olinda FM.

O Sicredi Noroeste é uma das primeiras organizações empresariais que garantiu presença como patrocinador âncora do evento, que reúne anualmente entre 20 e 30 mil pessoas oferecendo acesso gratuito ao público em todas as atrações esportivas, culturais e de negócios realizadas durante os três dias no parque de exposições.


Fonte: Paulo Roberto Staziaki/Rádio Olinda FM


Acampamento deverá reunir cerca de 500 jovens em Três de Maio


São aguardados jovens de várias regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Argentina





O município de Três de Maio receberá a partir da próxima semana, cerca de 500 jovens que deverão participar do 31º Acampamento Jovem Repartir Juntos, evento promovido pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que ocorrerá de 15 a 19 de janeiro.
A programação concentrada no Parque de Exposições Germano Dockhorn prevê a realização de palestras, dinâmicas, oficinas, lazer, esporte e cultura. Na quinta-feira, 16, haverá uma caminhada noturna, do Parque até o centro da cidade, com saída prevista para às 21h30.
Domingo, dia 19, culto na Comunidade São Paulo.
Informações dos organizadores do evento confirmam a vinda de jovens oriundos do Planalto gaúcho, Oeste de Santa Catarina, da Campanha Centro Sul (Santa Maria e Santa Cruz do Sul) e da Província de Missiones (Argentina). Pastor Renato Küntzer, anfitrião do evento, enfatiza no seu perfil do Facebook que "é sempre um privilégio poder contar com um público tão importante que são os jovens".


Histórico

O primeiro Acampamento Repartir Juntos, realizado há trinta anos atrás, foi uma iniciativa dos pastores Rui Bernhard e Arnoldo Maedche que repartiam o pastorado de Santo Ângelo. Eles tiveram a colaboração de moradores da região e organizaram o encontro nas proximidades das Ruínas de São Miguel, em campo aberto, à beira de um capão de mato e às margens de um pequeno afluente do Rio Jacuí.

O Acampamento Repartir Juntos levou aos jovens a proposta de uma espiritualidade com engajamento social. "Queríamos participar na construção de uma sociedade mais justa, em que todas as pessoas alcançassem o direito de opinar livremente sobre decisões que lhes diziam respeito e onde todos tivessem supridas suas necessidades básicas de vida digna" - relata o Pastor Sílvio Meinke.

Em 1981, um dos pontos altos do Acampamento de Languiru, foi a participação de Adolfo Perez Esquivel. Ele fora agraciado um ano antes com o Prêmio Nobel da Paz, por causa da sua resistência não violenta, a exemplo de Mahatma Gandhi, à ditadura militar argentina, e do seu engajamento em favor dos Direitos Humanos.

Para mais informações, acesse: http://acampamentorepartirjuntos.blogspot.com.br/




Obesidade quadruplica em países em desenvolvimento

Composição das dietas mudou de cereais e grãos para consumo de mais gorduras, açúcar, óleos e produtos de origem animal

O número de adultos acima do peso ideal ou obesos nos países em desenvolvimento quase quadruplicou desde 1980, diz um relatório divulgado hoje na Grã Bretanha.

De acordo com o estudo, quase um bilhão de pessoas vivendo nesses países - nações como China, Índia, Indonésia, Egito e Brasil - estão acima do peso.

O relatório prevê um "enorme aumento" em casos de ataques cardíacos, derrames e diabetes à medida que os hábitos alimentares no mundo em desenvolvimento se aproximam dos padrões de países desenvolvidos, com mais consumo de açúcar, gordura animal e alimentos industrializados na dieta.

O estudo, feito pelo Overseas Development Institute, um dos principais centros de estudo sobre desenvolvimento internacional da Grã-Bretanha, comparou dados de 1980 com dados de 2008, e verificou que na América Latina, por exemplo, o percentual de pessoas acima do peso recomendado era de 30% em 1980 e de quase 60% 18 anos depois.

Obesidade globalizada

Globalmente, o percentual de adultos que apresentavam sobrepeso ou obesidade - que têm um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25 - cresceu de 23% para 34% entre 1980 e 2008. Em números absolutos, isso representa um crescimento de 250 milhões de pessoas em 1980 para 904 milhões em 2008.

A maior parte deste aumento foi visto no mundo em desenvolvimento, especialmente nos países onde os rendimentos da população cresceram, como o Egito e México.

O relatório do ODI diz que a composição das dietas nestes países mudou de cereais e grãos para o consumo de mais gorduras, açúcar, óleos e produtos de origem animal.

Isso se compara a 557 milhões em países de alta renda. No mesmo período, a população mundial quase dobrou.

Ao mesmo tempo, no entanto, a subnutrição é ainda reconhecida como um problema para centenas de milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento, particularmente as crianças.

As regiões do Norte da África, Oriente Médio e América Latina apresentaram grandes aumentos nas taxas de sobrepeso e obesidade, para cerca de 58% da população geral, um nível em pé de igualdade com a Europa.

Enquanto a América do Norte ainda tem o maior percentual de adultos com excesso de peso, 70%, regiões como a Austrália e sul da América Latina não ficam muito atrás, com 63%.

O maior crescimento em pessoas com sobrepeso ocorreu no sul da Ásia oriental, onde a percentagem triplicou a partir de um ponto de partida mais baixo, de 7%, para 22%.

Entre os países, o relatório descobriu que a taxa de sobrepeso e obesidade quase dobrou na China e no México, e aumentou em um terço na África do Sul desde 1980.

Muitos países do Oriente Médio também registraram um alto percentual de adultos com excesso de peso.

'Publicidade, influências da mídia'

Um dos autores do relatório, Steve Wiggins, apontou para várias razões explicando os aumentos.

"Com renda mais alta, as pessoas têm a possibilidade de escolher o alimento que eles querem. Mudanças no estilo de vida, o aumento da disponibilidade de alimentos processados, publicidade, influências da mídia... tudo isso levou a mudanças na dieta", adverte.

Wiggins vê o fenômeno especialmente em economias emergentes, onde uma maior classe média vive em centros urbanos e faz pouco exercício físico.

O resultado, diz ele, é "uma explosão de sobrepeso e obesidade nos últimos 30 anos", o que poderia levar a sérias implicações para a saúde.

O estudo cita países que conseguiram evitar aumentos da obesidade graças à valorização de dietas tradicionais à base de cereais e vegetais, como Peru e Coreia do Sul.


Fonte: BBC Brasil


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Jornalismo: deformação na formação

Jornalistas já saem “deformados” das faculdades. Foi isso que identificou uma pesquisa realizada pela Universidade São Paulo (USP) com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Foram entrevistados 538 profissionais e os dados podem ser encontrados no e-book As Mudanças no Mundo do Trabalho do Jornalista (Editora Salta).

A pesquisa foi dirigida por Roseli Fígaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

São Paulo abriga cerca de 30% dos profissionais em atividade no jornalismo. E o que se pode constatar é que as faculdades, principalmente as privadas, prevalece na formação do estudante a lógica do mercado. A maioria dos entrevistados se formou em faculdades particulares e veem o jornalismo como um negócio qualquer. Como vender balas ou bebidas em bares.

Ainda segundo a pesquisa, apenas 5% dos entrevistados não concluíram o ensino superior e 65% possuem pós-graduação (especialização). Também se constatou que o jornalista começa a trabalhar ainda antes de terminar a faculdade e segundo a pesquisadora, os estudantes possuem certo desprezo pela faculdade. Vale o que se “aprende” no dia a dia e só.

É comum, pelo menos em Alagoas, vermos redações repletas de estagiários que atuam como se fossem profissionais formados e, como ainda não são jornalistas por formação, recebem entre R$ 200 e R$ 400 para trabalharem mais horas do que o acordo da categoria no estado estipula que são cinco horas diárias.

Ainda segundo a pesquisa, parte dos profissionais possui uma capacidade ruim contextualizar fatos e dados historicamente, social e política. Algo previsível, pois o que orienta os donos dos meios de comunicação em geral é a mesma visão empresarial de um negócio qualquer: lucro.

A pesquisa também constatou que apenas os jornalistas sindicalizados e os freelancers consideram os meios de comunicação como instrumento de cultura e informação. E apenas os primeiros enxergam a informação como um direito. Os demais, entre eles osfreelancers, como um produto.

Jornalismo não pode ser tratado como um negócio qualquer. Ele tem toda uma responsabilidade social que o diferencia de outros ramos empresariais. O principal é o fortalecimento da democracia. Não como querem os barões da mídia, quando o tema da democratização dos meios vem à tona, que apenas querem ter liberdade de empresa, sem nenhum compromisso com o jornalismo.

Não se trata de defender a possibilidade da imparcialidade. Isso é um mito e serve apenas para vender cartilha a calouros nos cursos de Jornalismo e que, contraditoriamente, logo são deixados de lado, quando se inicia a busca desenfreada por estágios. Se não se abrir o olho, logo os cursos de jornalismo se tornarão escolas de redação, fotografia e de noções de informática.

fonte: Blog do Cadu



O analfabeto midiático

por Celso Vicenzi*

Ele ouve e assimila sem questionar, fala e repete o que ouviu, não participa dos acontecimentos políticos, aliás, abomina a política, mas usa as redes sociais com ganas e ânsias de quem veio para justiçar o mundo. Prega ideias preconceituosas e discriminatórias, e interpreta os fatos com a ingenuidade de quem não sabe quem o manipula. Nas passeatas e na internet, pede liberdade de expressão, mas censura e ataca quem defende bandeiras políticas. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que elas – na era da informação instantânea de massa – são muito influenciadas pela manipulação midiática dos fatos. Não vê a pressão de jornalistas e colunistas na mídia impressa, em emissoras de rádio e tevê – que também estão presentes na internet – a anunciar catástrofes diárias na contramão do que apontam as estatísticas mais confiáveis. Avanços significativos são desprezados e pequenos deslizes são tratados como se fossem enormes escândalos. O objetivo é desestabilizar e impedir que políticas públicas de sucesso possam ameaçar os lucros da iniciativa privada. O mesmo tratamento não se aplica a determinados partidos políticos e a corruptos que ajudam a manter a enorme desigualdade social no país.

Questões iguais ou semelhantes são tratadas de forma distinta pela mídia. Aula prática: prestar atenção como a mídia conduz o noticiário sobre o escabroso caso que veio à tona com as informações da alemã Siemens. Não houve nenhuma indignação dos principais colunistas, nenhum editorial contundente. A principal emissora de TV do país calou-se por duas semanas após matéria de capa da revista IstoÉ denunciando o esquema de superfaturar trens e metrôs em 30%.

O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redação, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem”). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da mídia norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.

O analfabeto midiático não percebe que o enfoque pode ser uma escolha construída para chegar a conclusões que seriam diferentes se outras fontes fossem contatadas ou os jornalistas narrassem os fatos de outro ponto de vista. O analfabeto midiático imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo de esforço intelectual. Não se apoia na filosofia, na sociologia, na história, na antropologia, nas ciências política e econômica – para não estender demais os campos do conhecimento – para compreender minimamente a complexidade dos fatos. Sua mente não absorve tanta informação e ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos e econômicos. Lê pouquíssimo, geralmente “best-sellers” e livros de autoajuda. Tem certeza de que o que lê, ouve e vê é o suficiente, e corresponde à realidade. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais.”

O analfabeto midiático gosta de criticar os políticos corruptos e não entende que eles são uma extensão do capital, tão necessários para aumentar fortunas e concentrar a renda. Por isso recebem todo o apoio financeiro para serem eleitos. E, depois, contribuem para drenar o dinheiro do Estado para uma parcela da iniciativa privada e para os bolsos de uma elite que se especializou em roubar o dinheiro público. Assim, por vias tortas, só sabe enxergar o político corrupto sem nunca identificar o empresário corruptor, o detentor do grande capital, que aprisiona os governos, com a enorme contribuição da mídia, para adotar políticas que privilegiam os mais ricos e mantenham à margem as populações mais pobres. Em resumo: destroem a democracia.

Para o analfabeto midiático, Brecht teria, ainda, uma última observação a fazer: Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual.


O analfabeto político

O pior analfabeto, é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha
Do aluguel, do sapato e do remédio
Depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que
Se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política.
Não sabe o imbecil,
Que da sua ignorância nasce a prostituta,
O menor abandonado,
O assaltante e o pior de todos os bandidos
Que é o político vigarista,
Pilanta, o corrupto e o espoliador
Das empresas nacionais e multinacionais.

Bertold Brecht

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*Celso Vicenzi é jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas/SC, Prêmio Esso de Ciência e Tecnologia (1985). Atuou em rádio, TV, jornal, revista e assessoria de imprensa. Autor de "Gol é Orgasmo", editora Unisul - ilustrações de Paulo Caruso. Escreve humor no tuíter: @celso_vicenzi. Para contato: vicenzi@newsite.com.br


sábado, 4 de janeiro de 2014

PEQUENO EXPERIMENTO DE MUNDO

PEQUENO EXPERIMENTO DE MUNDO
Resquício de vir e estar




por Mariana Corteze*




Eis uma boa filosofia: tudo é viagem.
É viagem o que está à vista, o que se esconde,
É viagem o que se toca e o que se divinha,
É viagem o estrondo das águas caindo e esta sutil dormência que envolve os montes.

[Saramago]




O limite, a fronteira mostra-se não como uma linha a ser ultrapassada, mas como um espaço no qual o sentido pode reverberar e multiplicar-se, fragmentar-se. Entendo assim, essa fase de intercâmbio cultural como um lugar intervalar, de cruzamento onde se revela a descontinuidade e a diferença através de uma reescrita pessoal.

Pensar no que se vivencia significa transpor, é contestar a tradição local, assim venho passando por várias camadas de invenção própria e do mundo, caminhos que desconstroem meus deslocamentos. Desde que sai de Três de Maio, em 2011 e fui cursar Artes Visuais na Universidade Federal de Pelotas senti um pouco disso tudo, mas nada comparado ao que venho experienciando à cerca de um ano e meio, quando obtive a possibilidade de cruzar o Oceano Atlântico e ficar a mais de 10 mil quilômetros do meu lar.

Ao chegar em terras lusitanas, vi meus princípios cômodos imediatamente desmancharem, fui aos poucos aprendendo a olhar o panorama novo que me rodeava e defrontei com o que já fazia parte da minha cultura. Visto que não se fala mais em cultura, mas sim em culturas, quando confrontamos as visões do mundo antagônicas, os homens e suas diversas ideologias colocadas em conflito, que naturalmente resultará em algo nem sempre pacífico, devido a estranheza, a dificuldade de entendermos a alteridade (já estudada desde a antiguidade, como por exemplo Heródoto ao facear a diferença entre os gregos e os povos bárbaros, sendo sensível a diferença, a fronteira existente entre o ocidente e oriente). Deste modo, pensar o “eu” é pensar no “outro” ao qual desconhecemos, mas isso desencadeia uma variedade problemática quando nos deparamos com o fenômeno da globalização, que acaba achatando a diversidade cultural.

Portugal é um país que tem presente sua tradição em monumentos, história e cultura obtida desde os tempos da sua expansão territorial determinada pela navegação marítima e seu conjunto de descobrimentos, o que desencadeou na lenda da criação do termo “saudade”, cunhado nesta época, quando os portugueses estavam longe de suas casas e viviam em terras estranhas, já hoje vem a designar a atmosfera do povo local, como uma nação eternamente saudosa e esse princípio pode ser visualizado na arte portuguesa, como a poesia e música popular, o fado.

Às vezes sinto que parte de mim sai correndo pelas paisagens e conecta-se com o ambiente, somente com a materialidade presente e assim gosto de desmantelar a realidade imposta na visão portuguesa de que fomos descobertos e colonizados por eles, e inverto essa “verdade” me colocando imaginativamente na versão feminina e brasileira de Pedro Álvares Cabral, simplesmente procedi o caminho inverso e vim à terras desconhecidas, habitada por um povo estranho e ainda não civilizado. Pode soar um tanto brusco aludir isso, mas há muita hostilidade e juízo de valores incluso no pensamento de um português sob um imigrante brasileiro.

Toda experiência sensível de um indivíduo é agente da transfiguração identificadora e assim, posso afirmar que desde o momento em que me desloquei e agora permaneço em viagem não percorrendo apenas um país, mas também sua história, seu trajeto que constrói e reconstrói a memória e fundamenta a identidade deste povo em que convivo. Interpreto a minha habitação em Portugal de modo transitório com relações ao nomadismo e sua marca de peregrinação ao infinito, deste modo, vejo o mundo através de fragmentos, em função dos outros e em uma dimensão do mundo plural, multicultural.

Por fim, gostaria de compartilhar do sentimento de Gonçalves Dias, ao escrever a Canção do Exílio quando se encontrava em uma situação semelhante a minha, estudava direito na mesma Universidade em que estudo, morava em Coimbra e em 1843 escreveu sobre saudade de sua terra natal em contraste com a paisagem européia.



"Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.



Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.



Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.



Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar - sozinho, à noite -

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.



Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem que ainda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá."



[Gonçalves Dias]






*Mariana Corteze

Licencianda em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas, Brasil
Licencianda em Estudos Artísticos pela Universidade de Coimbra, Portugal
Bolsista do Programa de Licenciaturas Internacionais / CAPES.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Crônicas de NY: O paladar de quem fala inglês

(texto publicado na edição impressa da Revista Afinal #43. Acesse online, aqui ao lado)

CRÔNICAS DE NY


Por Ana Elisa* 











O paladar de quem fala inglês


Já tinha percorrido grande parte do Central Park quando, na altura da 100ª rua decidi parar a bicicleta e contemplar mais uma daquelas paisagens surpreendentes que o local reserva. Havia um pequeno lago protegido por árvores com galhos que caíam ao chão, como que em reverência a todo ambiente. Prestava atenção aos sons do cenário natural misturados aos da cidade, quando em um dado momento, avisto um senhor sentado em um banco próximo ao meu, entre umas folhagens. Ele tinha algo em suas mãos e seus movimentos eram todos voltados para esse objeto.

Procurava ser discreta ao observá-lo, pois os novaiorquinos podem ser extremamente temperamentais. Passado algum tempo, ele se levantou e veio lentamente em minha direção. Disfarcei meu desconforto. Então, quando mais próximo de mim, disse:

- Pegue essa caixinha. É sua.



E largou, no banco ao lado do que estava sentada, uma caixinha vermelha. Como estava apreensiva, não consegui respondê-lo. Mas, quem liga? Ele já estava seguindo seu caminho, decidido, e nem olhou para trás. Observei aquele senhor arqueado e de pernas afastadas uma da outra se retirar da cena, indiferente a minha reação e ao fato de deixar um objeto que foi de seu domínio com outra pessoa. Então, voltei-me para a caixinha. Passei os próximos cinco minutos, no mínimo, estudando o objeto daquela distância, que me parecia segura. 

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Cheguei em Nova York em 27 de agosto. Meu primeiro diálogo na Big Apple foi com o taxista que me levou do aeroporto até o hostel. Aquele senhor me levava em seu carro, com naturalidade e silêncio. Eu estranhei o fato dele não me perguntar de onde eu vinha, o que fazia ali, como geralmente fazem os taxistas em Porto Alegre. Mas, os papéis se inverteram e eu, que achava um saco ficar respondendo as perguntas deles, agora como turista curiosa, iniciei a conversa. Ele era do Haiti e vivia há cerca de dez anos em NY. Estranhou o fato de eu ser brasileira, porém como que lembrando de algo mais importante, logo emendou, simpático: Brasil, World Cup! Nosso diálogo discorria enquanto olhava com avidez para o mundo que se abria lá fora, ora mirando de um lado da janela, ora do outro.

Ele seria apenas o primeiro a estranhar o fato de eu ser brasileira, a julgar pela minha aparência estereotipada de branca europeia, somado ao fato do Brasil, durante muito tempo, ter vendido a imagem de um povo mestiço, simbolizada pela famosa mulata brasileira. Também seria apenas o primeiro a me falar da Copa do Mundo, a maior referência atual para os estrangeiros. Quando perguntava o que é que eles conheciam do Brasil, a maioria falava do Rio de Janeiro, São Paulo e, poucas vezes, da Bahia. O Rio Grande do Sul é praticamente inexistente para grande parte das pessoas com as quais conversei e eu, para ajudá-los, citava a Argentina e o Uruguai como lugares próximos.

Descobri que Nova Iorque está longe de ser apenas aquela cidade vendida por “Sexy and the City” - que circula apenas por Manhattan - e que os cupcakes do Magnólia Bakery (lugar badalado, que as meninas do seriado adoram ir) nem são tão bons assim, doces demais para o meu paladar. Também descobri que o famoso Pretzel – que está no ranking das comidas que “você não pode deixar de experimentar em Nova Iorque” - é horrível: seco, duro e sem sabor. Por outro lado, descobri sabores incríveis fora do mainstreem da cidade. Como na Little Italy, onde fui diversas vezes, e pude presenciar a Festa de San Genaro (a festa das festas, como eles mesmos denominam). Como toda festa/feira que se preze, a comida é um dos principais atrativos. Lá comi uma bolacha recheada, chamada Oreo (parecida com o Negresco brasileiro) em que é coberta por uma massa e logo após, frita. Calórica, porém muito gostosa. Também havia uma espécie de pastel com uma massa bem grossa, assustadora. Batatas fritas no palito, sorvetes italianos deliciosos, linguiças fritas na hora (também assustadoras), torrones em quilos, limonadas de cores variadas e coquetéis com quase nada de álcool.

Próximo dali, no SoHo, conheci um restaurante mexicano que poderia elegê-lo como meu preferido. Chamado “La Esquina”, é muito pequeno e todo decorado com pequenas lâmpadas coloridas. Tive a oportunidade de ir duas vezes. Em uma delas comi taco com guacamole acompanhado de refrigerante de tamarindo. Sim, os refrigerantes mexicanos foram, para mim, uma atração à parte. Em outra oportunidade tomei Sangria, é como um vinho de uva, sem álcool e com gás – porém existe Sangria com álcool.

Também comi em um restaurante turco, o Ali Baba, onde experimentei uma bebida chamada Ayran, feito de iogurte natural, água e sal. Quanto à comida, encontrei poucas opções vegetarianas nesse local, então acabei comendo só a entrada: pão sírio com variados molhos como o de berinjela, humus, vinagreti. Já, em um restaurante coreano, as opções para vegetarianos estavam marcadas com um 'V' no cardápio. Comi uma sopa com vários legumes. Gostei muito, apesar de ser extremamente apimentado. Aliás, quase toda comida em Nova Iorque vinha acompanhada de uma boa dose de pimenta, independente da origem.

Imagino que seja influência dos Mexicanos, que habitam a cidade com muita propriedade. Porém, esse posto não cabe só a eles, não. Todos sabemos que NY é uma mãezona que abriga gente de todos os lugares deste planeta. São pessoas que carregaram tudo que aprenderam em seus países e reproduzem de maneira fiel um pouco dessa cultura nas comunidades onde vivem atualmente e em suas lojas e restaurantes. Não se vai para NY conhecer a cultura americana crua e sim para se surpreender no metrô ao ouvir um menino de cinco anos de idade falando duas línguas fluentemente e alternando-as a cada frase. Para andar na rua e se perguntar qual língua que aquelas pessoas atrás de você estão falando. Para ouvir variedades do inglês ininteligíveis aos ouvidos, ou mesmo para ouvir um inglês que dá a certeza de que é oriundo de algum brasileiro. Para sintonizar em alguma rádio local e se surpreender com o espanglês natural e institucionalizado dos radialistas, que muito fez-me lembrar algumas rádios de Porto Mauá, cujo local já tem outra língua convencionada: o portunhol.

Dois pontos me fizeram refletir a respeito daquele mosaico cultural e linguístico: sua língua materna mantém-se latente e eles a utilizam diariamente alternada ao inglês fluente; a cultura é algo inabalável em qualquer povo, parece óbvio, visto o que vivenciamos aqui em nossa região quando vemos as etnias agrupadas e se esforçando em mantê-la viva na comunidade, porém isso me salta aos olhos com uma sensibilidade maior, hoje.

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Pois é, você pode estar se perguntando a respeito daquela caixinha, no início do texto. Levantei, peguei a bicicleta que estava escorada e saí lentamente, com um certo arrependimento, confesso. Mais distante, olho para trás e vejo um senhor que, curioso, a abriu. Tornou a fechá-la, logo em seguida, com expressão de desinteresse e seguiu seu caminho.

Assim como eu mesma fiz. Preferi criar mil histórias em minha mente, a partir do que poderia ter encontrado, a abri-la e esboçar a mesma reação.



*Ana Elisa Bobrzyk é jornalista e trabalha na assessoria de comunicação da UFFS, Câmpus Cerro Largo/RS. Em férias, rumou para Nova York e ficou por lá de 27 de agosto até 28 de setembro. Adorou! Ela vai contar tudo aqui na séria "Crônicas de NY". Acompanhe!


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Consumismo: a dimensão psicológica

Por Lais Fontenelle*


Ímpeto irracional de compra devasta natureza e amplia desigualdade. Mas é alimentado pela ideia de que mercadorias suprem vazios existenciais


O trânsito insano nos grandes centros urbanos, a excitação provocada pelas luzes e decoração das cidades, filas enormes no estacionamento dos shoppings e a imposição da compra de um número quase sem fim de presentes: para familiares, amigos secretos ou simplesmente conhecidos.

Fico pensando no real significado da data, de fechamento do ano e de um ciclo. Será que estamos comemorando o Natal de forma sustentável, com tanto desperdício de comida e embalagens, amontoado no dia seguinte às comemorações? Será que passamos valores humanos para as crianças ao comemorar um Natal em que o presente é o mais importante da festa e as cartas endereçadas ao bom velhinho trazem listas sem fim de brinquedos e eletrônicos – objetos de desejo de nossas crianças desde a mais tenra idade?

Consumo consciente versus consumismo. Esse talvez seja o maior desafio que a contemporaneidade nos reserva: como consumir de forma mais consciente e crítica, principalmente em épocas como o Natal, quando somos atravessados e impelidos a consumir em excesso?

Não podemos negar que o consumo faz parte de nosso cotidiano. É um fator importante no processo de desenvolvimento econômico, pois aquece o mercado e a produção, gera renda e empregos. Mas, quando recebe o sufixo ismo essa prática, tão trivial no nosso dia a dia, vira doença. Oneomania ou compulsão por comprar é hoje um fenômeno que acomete 3% da população brasileira, a maioria mulheres, segundo dados do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas em São Paulo.

Um alerta, porém: atualmente o consumismo não é tido como doença. É um hábito e estilo de vida, aceito em nossa sociedade desde a infância não só pelo estímulo incansável do mercado, mas também pela enorme pressão social que nos convida a consumir sem reflexão. Mais do que um hábito, o consumismo hoje agrega valor ao indivíduo.

E aí vale a reflexão: que valores são esses que estamos transmitindo às crianças? Hábitos consumistas e valores materialistas que priorizam o ter em detrimento do ser, o individual acima do coletivo, a competição ao invés da cooperação. Fato que fica evidente no documentário de 2008 “Criança, Alma do Negócio”, da diretora Estela Renner, numa cena surpreendente em que somente uma em cada dez crianças diz preferir brincar a comprar.

O estilo de vida consumista nos coloca, portanto, questões sérias e urgentes. A primeira é de ordem ética e moral: 20% da população mundial consomem 80% dos recursos naturais, ou seja, poucos consomem muito, enquanto a maioria passa por privações. Num país como o Brasil, que tem uma desigualdade social enorme, esse fator se agrava contribuindo para o aumento da violência.

O segundo ponto diz respeito às questões ambientais, pois sabemos que os recursos são finitos e nos relacionamos com eles de forma insustentável. Por fim, não podemos deixar de mencionar os impactos emocionais que esse estilo de vida impõe aos sujeitos contemporâneos que crescem acreditando na posse e oferta de objetos como sinônimo de felicidade e demonstração de afeto.

Se antigamente nossos elos sociais se davam por instâncias claras como espiritualidade, família e escola, hoje precisamos adornar nossos corpos para nos fazer visíveis e assim sermos reconhecidos e aceitos como membros da sociedade. O consumo transformou-se em passaporte para obtenção de cidadania, proporcionando ao sujeito visibilidade social. Bens e serviços funcionam como ingresso de trocas sociais e afetivas.

A cultura do consumo, na qual estamos todos inseridos, mercantilizou dimensões sociais e datas comemorativas. Mas consumir pode significar extinguir e destruir, portanto precisamos mudar nossos próprios hábitos de consumo, assim como passar valores menos materialistas a nossas crianças, para que em suas cartas de Natal peçam algo além de objetos.

Meu pedido vai aos adultos cuidadores de crianças, sejam eles pais, avós ou educadores. Será que juntos não conseguimos lutar contra esse convite exagerado ao consumo, e realizar festas de final de ano que envolvam outro tipo de troca – que não somente a de presentes? Talvez assim possamos subverter a ordem estabelecida do consumismo desenfreado e exercitar o desapego. E encontrar uma forma mais sincera de fechar nosso ano com menos dívidas e mais afeto. Boas festas!


*Lais Fontenelle Pereira, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e autora de livros infantis, é especialista no tema Criança, Consumo e Mídia. Ativista pelos direitos da criança frente às relações de consumo, é consultora do Instituto Alana, onde coordenou durante 6 anos as áreas de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo.



fonte: Outras Palavras

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

NOVIDADES DA CIRURGIA PLÁSTICA

Dr. Nelson Dutra com o cirurgião plástico Ivo Pitanguy.
por Nelson Dutra*

[texto publicado nas páginas 36 e 37 da edição #43 da Revista Afinal]








Até alguns anos atrás, a Medicina era uma profissão que exigia, de quem se dedicava a ela, muito esforço e compromisso. Isto não mudou, mas algumas coisas mudaram, e muito. Os valores e os conhecimentos milenares a respeito dos sinais e sintomas de um doente eram aprendidos na faculdade e, depois disto, cada médico ia aprender na prática como aplicar seus conhecimentos e curar seus doentes.

Hoje, isto é pouco. Acredita-se que a cada 4 anos o conhecimento médico disponível em artigos publicados, frutos da pesquisa e do descobrimento de novas técnicas, dobre de tamanho.

Assim, a Medicina desmembrou-se em várias especialidades com a finalidade de melhor atender aos pacientes. É certo que esta divisão complicou um pouco a vida das pessoas, que às vezes têm que consultar mais de um médico para resolver um problema de saúde, mas por outro lado veio a melhorar a qualidade do atendimento prestado.

Cada especialidade, aqui no Brasil, se organizou e promove regularmente congressos médicos para divulgar o conhecimento atual entre seus associados. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e suas filiadas nos estados brasileiros, promove e/ou apóia, todos os anos, aproximadamente 20 encontros deste tipo, além do congresso anual.

Hoje em dia, o médico que não freqüenta os congressos de sua especialidade vai ficando gradualmente para trás em relação aos seus colegas.

Recentemente ocorreu aquele que é o maior congresso de Cirurgia Plástica do mundo, na cidade do Rio de Janeiro. Compareceram os maiores especialistas da área para discutir, debater e divulgar aquilo que existe de mais atual no mundo da Cirurgia Plástica.

O Brasil é muito respeitado nesta especialidade no mundo todo e os plásticos americanos costumam acorrer em massa para os nossos congressos. Foram aproximadamente 3.000 profissionais entre alunos e professores, profissionais altamente qualificados e expoentes máximos da especialidade.

Foi possível conviver com verdadeiros ícones como o Dr. Ivo Pitanguy, pioneiro da cirurgia plástica brasileira e mundial, o Dr. Ives Illouz, médico francês criador da Lipoaspiração e o Dr. Sherrell Ashton, especialista em rosto, com consultório em Nova Iorque.

Há aproximadamente 50 anos atrás, o Dr. Pitanguy criou uma técnica de redução mamária que é usada até hoje, aquela que é chamada de “cicatriz do T invertido”. No entanto, a cada ano, inúmeras variações desta mesma técnica são criadas por um sem número de novos e antigos cirurgiões e, como diz um ditado da nossa especialidade, “uma só chave não consegue abrir todas as portas”.

Se cada pessoa é diferente e única, é melhor quando há várias chaves para as várias portas que existem. A lipoaspiração, que foi criada há uns 30 anos, apresentou alguns problemas no início, pois ainda não se tinha o domínio da técnica e não se sabia qual a quantidade que podia ser retirada com segurança. Hoje, já se sabe (entre 5% e 7% do total do peso corporal) - e assim os problemas não ocorrem mais no dia-a-dia.

No que diz respeito ao rosto, novas técnicas de levantamento (lifting) surgem a cada dia. No passado, para levantar as estruturas do rosto que caem com o passar dos anos, simplesmente se retirava o excesso de pele junto à orelha (na frente e atrás) e isto era suficiente. Hoje, com o avanço das novas técnicas, é possível corrigir a queda de alguns músculos da face e até do pescoço e, com isto, obter resultados mais duradouros.

No andar superior do rosto (a testa), a toxina botulínica tem dado bons resultados, podendo dispensar a cirurgia.

A retirada de pele do abdome (abdominoplastia) também tem algumas novidades, como a associação com lipoaspiração para a obtenção de resultados mais naturais.

Quanto às mamas, há um método que tem sido empregado para aumentos discretos, sem o uso de próteses, que é a injeção de gordura da própria paciente. Há alguns anos, evitávamos fazer este tipo de procedimento porque a gordura implantada poderia criar com o tempo, pequenos nódulos calcificados que poderiam ser confundidos, ao exame de mamografia, com nódulos suspeitos de câncer. Os exames radiológicos, no entanto, evoluíram e hoje não há mais este risco, estando, portanto, liberado mais um procedimento para aumentar as mamas, que vêm se somar ao já consagrado silicone.

As próteses de silicone foram criadas em 1962 e já estão em sua sétima geração. A cada ano estão com aspecto mais natural, pois a qualidade do gel interno é cada vez mais aperfeiçoada e os resultados têm sido cada vez melhores, aliado ao fato de que não há mais a necessidade de trocá-las a cada 8 ou 10 anos como no passado.

As próteses de silicone no bumbum já estão ficando seguras e a cirurgia vem aumentando sua procura ano a ano. As primeiras próteses colocadas ainda não entusiasmavam a maior parte dos cirurgiões plásticos, devido ao fato de que o plano anatômico mais adequado para sua colocação ainda não estava bem definido. Isto tem mudado e, cada vez mais, este procedimento tem feito parte da rotina dos consultórios.

Vou terminar contando uma história que ouvi do Dr. John Tebbets, o maior especialista em silicone no mundo. Ele conta que, freqüentemente, quando as pacientes estão na primeira consulta com a intenção de colocar silicone nas mamas, o pedido que ele mais ouve é:

-“Doutor, eu quero que as minhas mamas fiquem bem naturais!”...

Sempre que lhe pedem isto, ele diz, brincando:

-“Bem, se você quer “bem natural” eu posso fazer, mas quando você deitar com a barriga prá cima, elas vão se separar e vão cair cada uma para um lado”...

É quando todas elas respondem:

-“Ah, não! Então eu quero bem artificial, doutor!”...

É um jeito descontraído de explicar que o silicone nas mamas já não precisa ter o aspecto “natural”, mas é importante que a mama fique bem modelada ao invés de ficar “estufada”.

O médico pode ouvir a vontade da paciente, mas tem a obrigação de orientá-la para obter os melhores resultados.


*Dr. Nelson Lindner Dutra é Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Atende na Clínica Svelare, em Santa Rosa.


sábado, 28 de dezembro de 2013

O ano partido ao meio

por Luciano Martins Costa no Observatório da Imprensa

O ano que se encerra deixa lições interessantes para quem observa o ambiente da mídia e a sociedade no Brasil. Foi um ano que se dividiu ao meio, exatamente no mês de junho, quando uma onda de manifestações colocou nas ruas a pauta das insatisfações que assombram principalmente os mais jovens. O ponto de conjunção desses descontentamentos é a mobilidade urbana, sem a qual tudo se torna mais penoso: a conquista da educação, a saúde, a segurança, a cultura e o lazer.

A imprensa, como todas as instituições, foi apanhada de surpresa, porque não acompanhou o desenvolvimento dos debates que vinham acontecendo desde os primeiros encontros do Fórum Social Mundial, em 2001. A ideia que se consolidava nessas reuniões de organizações sociais era que “um outro mundo é possível”.

A necessidade de romper a barreira da mídia institucional se tornou explícita durante o evento realizado em 2005, em Porto Alegre. Foi nessa ocasião que as organizações sociais empenhadas na agenda de mudanças se deram conta de que era preciso sair da reflexão para a ação. O processo se deu segundo o padrão das flash mobs, ou mobilizações instantâneas, que se tornaram possíveis com o crescimento e popularização das redes sociais digitais.

Talvez por trabalhar em estruturas hierarquizadas, e sem conexão com as redes capilares e complexas da sociedade, a mídia tradicional foi tão surpreendida quanto as instituições do poder público, quando os manifestantes saíram às ruas. Depois, foi o que se viu: apropriada por grupos organizados e facilmente manipuláveis, a onda de protestos se esvaziou em meio aos atos de violência policial e vandalismo.

No entanto, o processo ainda não se completou. A agenda básica das manifestações foi apenas parcialmente atendida, com o congelamento das tarifas de transporte público na maioria das grandes cidades, mas as razões para descontentamento não foram removidas.

Apesar de as ruas terem sido ocupadas por grupos oportunistas em favor de seus interesses específicos, o núcleo original das manifestações de junho volta a se articular.

Ano dos estilhaços

A possibilidade da volta das grandes manifestações deverá se tornar mais concreta após o período de festas, quando os estudantes retornarem às aulas e se derem conta de que, embora as tarifas tenham sido congeladas há seis meses, o transporte público segue sendo um tormento na maioria das cidades. Nas metrópoles, pelo excesso de veículos nas ruas e pela precariedade histórica do sistema de coletivos; nas cidades médias e pequenas, pela insuficiência e baixa frequência das redes. Junte-se a isso o recrudescimento do radicalismo político na imprensa, que acontece nos períodos eleitorais, e teremos o cenário perfeito para as tempestades sociais.

Em junho, quando as ondas de protesto tomaram as ruas, a mídia desviou a responsabilidade pelos descontentamentos para os poderes Executivo e Legislativo, ao mesmo tempo em que exaltava aquilo que era tido como o ponto de mutação do poder Judiciário.

As autoridades responderam a algumas das demandas, com medidas de impacto, como o lançamento do Programa Mais Médicos, o congelamento das tarifas de transporte e cortes de R$ 260 milhões nos gastos anuais do Senado. Na semana passada, uma nota na imprensa registrou que 95% dos médicos formados no exterior que se inscreveram no programa foram aprovados na segunda etapa do exame de proficiência.

O cenário apresenta um desafio interessante para a imprensa: se continuar priorizando declarações, que simplesmente aquecem a temperatura política, sem oferecer alternativas para os problemas nacionais, poderá estar dando uma força para os grupos que têm interesse na volta dos distúrbios. Se apostar num jornalismo crítico, mas fundado na análise dos desafios que se apresentam, poderá contribuir para o apaziguamento das ruas, mas estará poupando o governo federal, ao qual se opõe.

O ano que se inaugura promete uma complexidade nunca antes vista por aqui, com a realização da Copa do Mundo no Brasil, cujo encerramento irá coincidir com o início oficial da campanha eleitoral que, segundo as pesquisas, poderá definir a permanência, no poder federal, da aliança que governa o país desde 2003.

Por outro lado, a imprensa estará trabalhando com duas realidades econômicas antagônicas: aquela dos indicadores pessimistas, que costumam frequentar as manchetes, e a percepção das ruas, com desemprego em baixa, salários em alta e consumo aquecido.

Se 2013 foi um ano partido ao meio, 2014 poderá ser o ano dos estilhaços.


Professora de Horizontina recebe prêmio nacional



A professora horizontinense Alessandra Franzen Klein, recebeu pela segunda vez,  o Prêmio Professores do Brasil. O prêmio foi entregue em Brasília no dia 12 de dezembro.

A professora inovou seu modo de educar para inserir uma aluna surda na escola regular. Iniciou a experiência em 2010, na Escola Municipal Espírito Santo de Horizontina e no ano de 2013, todos os alunos da sala aprenderam a alfabetização bilíngue. 

- “Com isso, diversas atividades de sala de aula foram adaptadas, todas as crianças da sala estão aprendendo libras juntamente com a colega Bruna e se comunicam também com outras pessoas surdas”, destacou a professora Alessandra. 

Para ajudar no aprendizado Alessandra escreveu dois livros, destacando exemplos de inserção social. O projeto vencedor é também tema de sua pesquisa dissertativa. Alessandra destaca que a formação oferecida pela UNIJUÍ, desde o curso de Pedagogia, contribuiu para sua formação docente.

A pesquisa dissertativa de Alessandra tem como tema: “A questão da pedagogia bilíngue numa escola para crianças: o possível e o impossível para os caminhos da inclusão”, sob a orientação da professora Drª Noeli Weschenfelder, professora de Alessandra também no curso de Pedagogia.

O Prêmio Professores do Brasil é uma iniciativa do Ministério da Educação, promovido juntamente com as instituições parceiras. O Prêmio foi instituído em 2005, por meio da Secretaria de Educação Básica (SEB), e tem como objetivo reconhecer o mérito de professores das redes públicas de ensino, pela contribuição dada para a melhoria da qualidade da educação básica, por meio de experiências pedagógicas bem-sucedidas, criativas e inovadoras.

Para saber mais, acesse http://premioprofessoresdobrasil.mec.gov.br/




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

MinC descentraliza divulgação de ações culturais


O Ministério da Cultura criou um novo canal de comunicação que contará com a colaboração de usuários do Portal do MinC e das Redes Sociais. Por email ou utilizando a hashtag #DivulgaCultura, colaboradores de qualquer região do Brasil poderão compartilhar, divulgar e informar sobre os eventos culturais de sua cidade.

Iniciativa visa engajar os usuários do sistema MinC, descentralizando o formato de divulgação das ações culturais. A ferramenta de comunicação está disponível para jornalistas, assessores de comunicação, sociedade civil e colaboradores digitais que desejam divulgar os acontecimentos da sua região.

O novo canal de comunicação vai permitir a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação. O MinC está recebendo informações sobre exposições, shows; projetos de circo, dança e teatro; espetáculos, oficinas, movimentos populares e muito mais.

Envie sua sugestão de pauta, release ou banner do evento para o e-mail divulgacultura@cultura.gov.br. É possível também contribuir utilizando a hashtag #DivulgaCultura no Facebook ou Twitter.

Procure pelas marcas: Ministério da Cultura; Lei de Incentivo a Cultura; Fundo Nacional da Cultura; Agência Nacional do Cinema (Ancine); Fundação Casa de Rui Barbosa; Fundação Nacional de Artes (Funarte); Fundação Cultural Palmares; Instituto Brasileiro de Museus (Ibram); Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) e Fundação da Biblioteca Nacional (FBN).

fonte: MinC


sábado, 21 de dezembro de 2013

HORA DE BRIGAR PELO TÍTULO MUNDIAL

Em 1992, quando a Seleção Masculina de Vôlei conquistou o ouro olímpico, era o início de uma era que dura até hoje, com o Brasil acumulando títulos em diversas competições, na quadra e na areia, no masculino e no feminino.
Estaremos prestes a testemunhar isto no Handebol? A Seleção Feminina está fazendo sua parte, venceu todas as partidas até aqui do Campeonato Mundial e agora resta apenas um jogo: A grande decisão contra a Sérvia.
Este grupo foi mais longe do que qualquer outro na modalidade no Brasil e ainda tem a chance de terminar a campanha com a taça! E mesmo que não venha, vai terminar o Mundial com uma honrosa medalha de prata e inúmeras razões para comemorar.
Que este seja um impacto principalmente na Liga Nacional como aconteceu com a Superliga, hoje uma referência e com a base da Seleção Feminina, especialmente no Unilever, Osasco e SESI, além de outras fortes equipes na disputa.
Este pelo menos segundo lugar foi resultado de muito trabalho, que começou há pelo menos quatro anos com o técnico Morten Soubak. Ninguém desanimou com o 15º lugar em 2009 e todos continuaram trabalhando e investindo, fazendo parcerias e levando atletas para a Europa, e agora tem uma final a jogar.
Acima de tudo, a Seleção Feminina de Handebol mostrou o que é possível ser feito. Agora, que venham resultados como este em outras áreas da modalidade. (MVP Handebol).

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Amanhã o Brasil joga a final em busca do título INÉDITO do Mundial de Handebol contra a equipe da Sérvia. O jogo será transmitido pela TV Esporte Interativo, a partir das 13 horas.
A santa-rosense Deonise Cavaleiro integra a equipe brasileira. Ela concedeu entrevista ao editor da Revista Afinal que foi publicada na edição #42. Confira a matéria.

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Destaque na Europa, atleta santa-rosense 
pode voltar ao Brasil


Depois de atuar por sete anos na Europa, a atleta santa-rosense de handebol Deonise Fachinello Cavaleiro pode voltar a jogar por uma equipe brasileira. Tudo vai depender das condições que apontem para a participação nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

A atleta nascida em Santa Rosa há 30 anos, se tornou um dos maiores destaques do handebol mundial. Atuou por equipes no Brasil, depois rumou para a Europa onde atuou em equipes da Espanha, Áustria e França.

- “É uma possibilidade que existe, tendo uma estrutura onde eu possa manter um nível técnico alto para poder chegar bem em 2016, por que não?", comentou. Deonise que vive uma ótima fase na Europa, onde foi eleita a melhor de sua equipe, o Hypo, da Áustria, na disputa da Champions League.

Atualmente integra a equipe do Hypo NÖ, da Áustria. “Estou na equipe desde a temporada passada onde conquistamos os títulos da Liga Austríaca, Copa da Áustria e Recopa da Europa. Deonise conversou com o editor:

Quando foi a última vez que esteve em Santa Rosa?

Já faz muito tempo. Quando jogava pela equipe gaúcha da Ulbra/Altero/Paquetá fui um fim de semana relembrar onde tinha nascido. Uma pena não poder ter ficado mais tempo, gostaria de conhecer mais sobre Santa Rosa.

Qual a impressão que teve da cidade?

Fui embora muito pequena (tinha 2,5 anos quando a família se mudou para Ivaí, Paraná), mas a lembrança que tenho é de uma vida limpa, em todos os sentidos. Um povo muito amigo. Lembro que a casa dos meus pais tinha sempre os vizinhos conversando e todos se ajudando no que fosse preciso. Isso é algo que vou levar para sempre, essa pureza da amizade entre as pessoas.

Deixou parentes em Santa Rosa?

Tenho um tio e alguns primos por parte de pai. Infelizmente é difícil de manter contato com eles porque há muitos anos estou longe e acabamos por perder todo o contato.

Ao término da entrevista, Deonise ressaltou o carinho que nutre pela sua cidade natal e revelou que sempre que possível se identifica como “gaúcha de Santa Rosa”.

- “Sei que estive sempre longe de todos vocês, mas quero que saibam que o meu amor pela minha terra sempre existiu. Tenho muito orgulho de dizer a todos pelo mundo que sou uma Gaúcha de Santa Rosa. Quero poder levar todos vocês junto comigo ao lugar mais alto do pódio no próximo mundial e na Olimpíada. Cada vitória minha também é de vocês” – finalizou.

>> Acesse o site da atleta: www.deonise.com


Sustentabilidade: como entender este tema desafiador

por Daniel Cenci*

O tema da sustentabilidade é presença recorrente, nos mais diferentes círculos de conversas. Podemos afirmar que é sim, um tema da moda. Porém, a moda vai e vem, e rapidamente é superada. A sustentabilidade, ainda que um tema tratado superficialmente pela maioria das pessoas, sem dúvidas, é um tema que veio para ficar. Com esta convicção estaremos refletindo neste espaço a sustentabilidade e sua infinidade de conexões na perspectiva do presente e do futuro com qualidade de vida.

Sustentabilidade é um conceito que precisamos compreender cada dia mais e melhor. Porém não se trata de um conceito fechado, conciso, pronto, mas uma construção que oriente as experiências do presente e garanta o futuro com vida boa para todos. Conforme consolidado pela ONU – Organização das Nações Unidas, o conceito de Sustentabilidade, ou Desenvolvimento Sustentável é “um processo que permite satisfazer as necessidades da população atual sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das gerações futuras”.

Entretanto, a cada dia que passa, percebemos que a ação humana vem causando impactos significativos no meio ambiente, na deterioração das próprias relações sociais e dando maior centralidade e valorização aos aspectos econômicos.

Neste sentido, nossa proposta de pensar criticamente a sustentabilidade, exige repensar as condutas humanas. Não apenas para cuidar do verde das matas, do azul das águas, da pureza do ar e dos solos, dos ecossistemas, da biodiversidade, mas requer revisar as condutas humanas para garantir qualidade de vida e dignidade, para as gerações presentes, sem comprometer a qualidade de vida das futuras gerações.

É, portanto, bem mais exigente que revisar condutas de cuidados com o meio ambiente, Significa revisar valores éticos e condutas do dia-a-dia na relação entre as pessoas, entre as sociedades, revisar relações internacionais e acordos multilaterais, os propósitos sobre nosso crescimento econômico e desenvolvimento tecnológico. Sobre o patrimônio ambiental, sim, mas também sobre a construção das democracias, do acesso a vida digna, ao bem estar, em todos os recantos do Planeta.

Sustentabilidade é, pois, um tema aglutinador, catalisador, no qual centramos o foco da “luz no final do túnel” para definir nossas ações, investimentos, opções de organização social, de desenvolvimento econômico e de relações do homem com a natureza. Das nossas escolhas de plantio resultarão as nossas colheitas. Das nossas escolhas de valores resultará a sociedade presente e futura. Será este o desafio que enfrentaremos nesta coluna. Refletir os diferentes campos da vida implicados com a qualidade de vida das presentes e futuras gerações, sem o que não estaremos prospectando futuro sustentável.


*Daniel Cenci é Doutor em Meio Ambiente pela UFPR.

Fale com o colunista: danielr@unijui.edu.br


Editorial - edição #43



Chegamos ao final de 2013 com 43 edições publicadas. Foram quase 2 mil páginas, mais de 3 mil fotos publicadas em sete anos de vida. Quero agradecer o apoio dos anunciantes, dos colaboradores e das inúmeras pessoas que nos ajudam a produzir a revista.

Nesta edição estreia a sua coluna o Professor Daniel Cenci que abordará o tema da sustentabilidade. Também, o cirurgião-plástico Nelson Dutra, escreve sobre as novidades da área. São profissionais renomados que aceitaram dedicar parte do seu precioso tempo para escrever aos leitores da Revista Afinal. É uma honra tê-los aqui.

Destaco o relato da três-maiense Vanessa Backes e o seu drama particular no enfrentamento ao câncer aos 24 anos de vida. Uma história que merece reflexão. De Portugal vem o texto primoroso de Mariana Corteze que traduz toda a sua saudade da terra natal. Pablo Schrammel nos conta sobre o intercâmbio promovido pelo Rotary. Saiba o que a jornalista Ana Elisa andou aprontando por Nova York. Marcelo Dahmer se consagra no campeonato de motovelocidade. As dicas do cabeleireiro Régis Klein e as lindas mensagens natalinas dos nossos anunciantes. Curtam!

Desejo a todos e todas um FELIZ NATAL e que o ano de 2014 seja de paz, harmonia e amor.


Obrigado!

Gerson Rodrigues / editor
redacao@revistafinal.com

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

SETREM tem o melhor IGC entre faculdades da região Noroeste

Instituição alcançou a média 3 no Índice Geral de Cursos, que avalia a qualidade das instituições de ensino superior



A Faculdade Três de Maio, mantida da Sociedade Educacional Três de Maio (SETREM), alcançou o melhor Índice Geral de Cursos (IGC) entre as faculdades presenciais da região Noroeste do Rio Grande do Sul. O Índice é um indicador de qualidade de instituições de educação superior avaliadas pelo Ministério da Educação (MEC), que considera, em sua composição, a qualidade dos cursos de graduação e de pós-graduação. No que se refere à graduação, é utilizado o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e, no que se refere à pós-graduação, é utilizada a Nota Capes. O resultado final está em faixas de 1 a 5.

Para o cálculo do CPC, é levado em conta o conceito preliminar dos cursos que foram submetidos ao Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) nos três últimos anos, tanto o desempenho dos ingressantes como o dos concluintes. O índice leva em conta também o corpo docente, infraestrutura e proposta pedagógica. A Faculdade Três de Maio alcançou a média 2,60, o que garante um índice 3, apresentando um importante crescimento em relação a média atingida no ano anterior, que foi 2,37.

Direção comemora crescimento do índice

Para o vice-diretor de Ensino Superior da SETREM, Sandro Ergang, esta evolução no IGC atesta a qualidade de ensino da Instituição. "Esse índice reflete o compromisso da Faculdade Três de Maio com os parâmetros de qualidade estabelecidos pelo MEC. Estamos desenvolvendo um trabalho contínuo junto a professores e alunos para que possamos oferecer a cada dia uma melhor aprendizagem, investindo também na infraestrutura da Instituição, para que no próximo ano possamos alcançar o índice 4", conclui Ergang.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A GENTE NÃO SE VÊ NA GLOBO! O “CAÇA ÀS MULATAS” E A LUTA FEMINISTA

Anaíra Lobo, Gabriela Silva e Maíra Guedes*, no blog da Marcha Mundial das Mulheres


A mídia brasileira desempenha papel fundamental na manutenção do racismo e do machismo. Nas últimas três semanas, as mulheres negras ocuparam o horário nobre na TV aos domingos (o que não é nada comum), enquanto a Rede Globo realizava sua “caça às mulatas” para eleger a nova Globeleza. Não, isso não é fantástico.

O corpo das mulheres negras é constantemente hipersexualizado nas TVs: seja nas propagandas, nas novelas, nos programas de esporte ou de auditório. A mercantilização da nossa sexualidade é naturalizada para que as mulheres sejam cada vez mais exploradas. Nesse concurso, tentam mais uma vez nos afirmar como coisas, objetos sexuais, sendo assim, nulas de vontade, nascidas para atender ao desejo masculino. Um lucrativo produto vendido nas propagandas, no Carnaval, nas Copas do Mundo e esquinas das avenidas.

A luta das mulheres contra a opressão e a exploração e pela liberdade é histórica e cotidiana. Ao falarmos da formação social e econômica do Brasil, falamos de uma história de resistência e enfrentamento de mulheres indígenas e negras contra um sistema que estuprou, explorou e destruiu muitos povos. Para as mulheres negras, que vieram na condição de escravizadas, inferiores e subalternas, eram reservados três destinos: escrava sexual, reprodução de mão de obra e exploração da força de trabalho. Além disso, a cultura, a beleza e identidade do povo negro e indígena foram negadas, destruídas e criminalizadas. Estamos falando de um sistema de dominação que tem no cerne da sua estrutura o racismo e o patriarcado – anteriores ao capitalismo mas muito bem apropriados por ele – e que tem como um dos principais agentes de manutenção os meios de comunicação hegemônicos.

A mercantilização do corpo das mulheres é representado pela grande mídia como valorização. O concurso para eleger a nova Globeleza foi um desses momentos em que se afirmou em rede nacional: “Viram como não somo racistas? Estamos aqui cultuando esse lindos corpos negros”. Eles querem que vejamos a exploração dos nossos corpos como um elogio. Para nós, não é elogio, é exotificação. Quando não somos objetos sexuais ideais, tornamo-nos as indesejáveis, por vezes tratadas como feias e nojentas. Nossos corpos sofrem ojeriza quando não estamos enquadradas no papel de “mulata” sensual e provocante, ou então, o lugar que nos cabe é permanecer como empregadas domésticas, a serviço dos patrões no quartinho dos fundos, senzala do século 21.

A Globo, com seu discurso mentiroso de inclusão, atua na lógica da omissão e naturalização da violência sistêmica que recai sobre o povo negro, sendo vetor principal da criminalização e extermínio da juventude negra, da invisibilização do trabalho doméstico e da culpabilização da mulher pela violência sofrida. Quem ganha com tudo isso? Certamente não é a classe trabalhadora.

A Globeleza é mais uma vez a reprodução de um lugar e de um papel que só acumulam para a burguesia. Não é assim que queremos nos ver na televisão! A Globeleza não representa os anseios das mulheres negras, trabalhadoras e lutadoras. A Globeleza não é a afirmação da identidade, nem da cultura e muito menos da beleza do povo negro. Nós identificamos e apontamos a Rede Globo e suas filiais como inimigas das mulheres e instrumento da classe dominante patriarcal e racista. Não é demais lembrar que o império das telecomunicações da família Marinho – aqui na Bahia da família Magalhães, no Maranhão da família Sarney, e por aí vai – foram construídos principalmente na ditadura militar, roubando o dinheiro do povo brasileiro e derramando o sangue de lutadoras e lutadores.

Compreendemos que para desmontar e destruir esse sistema de exploração, a democratização dos meios de comunicação é questão estratégica e fundamental. Queremos que as trabalhadoras possam pensar e produzir seus próprios meios de comunicação. Só assim seremos de fato representadas. Seguiremos em marcha lutando contra a mercantilização dos nossos corpos e vidas! Nossa resistência é a reação!

Pela democratização dos meios de comunicação! O mundo não é mercadoria, as mulheres também não!


*Anaíra Lobo, Gabriela Silva e Maíra Guedes são Militantes do Núcleo Negra Zeferina da Marcha Mundial das Mulheres da Bahia.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Estado das Coisas em Pulperia Rockeira no SESC



Data: Sexta Feira 06/12/2013
Hora: 21 horas
Local: Teatro Sesc Santa Rosa
Ingressos: R$ 5,00 comerciários c/cartão Sesc/Senac, R$ 15,00 empresários do comércio c/ cartão Sesc/Senac e R$ 30,00 comunidade em geral


Sob direção artística de Hique Gomez (Tangos & Tragédias), a banda Estado das Coisas reverencia novamente seu amor, seu carinho e seu respeito pela música feita no Rio Grande do Sul, prestando uma sincera homenagem ao Cancioneiro Popular Gaúcho com o projeto Pulperia Roqueira. Neste show, a banda recebe como convidado especial o bailarino El Diablo Jr., que durante vários anos percorreu o mundo inteiro divulgando através das boleadeiras, do som do bombo leguero e da dança, um pouco da arte feita no Rio Grande do Sul.


OBS: na compra do ingresso você ganha uma cortesia para o show do Quarteto Belmonte do Rio de janeiro para:

Domingo 08/12 às 20h30min no Teatro do Sesc.


Conferência Nacional de Cultura define 64 diretrizes para gestão cultural

III CNC define 64 diretrizes para gestão cultural


A III Conferência Nacional de Cultura foi encerrada neste domingo (1º), em Brasília. Participaram da programação 1.745 pessoas, sendo 953 delas delegados dos 26 estados e do Distrito Federal. Com direito a voto, os delegados (70% representantes da sociedade civil) elegeram 64 diretrizes para os próximos anos. Destas, por votação eletrônica, 20 foram destacadas como prioridade.

O Nordeste foi a região que mais enviou representantes para o evento: 31% do total, seguida do Sudeste, com 22%, Centro-Oeste, com 21%, Sul (12%) e Norte (9%).

"Os microfones estiveram abertos para os mais diversos apelos, para a manifestação de todos. Garantimos a maior e mais representativa mobilização democrática que o setor de políticas culturais já viu no Brasil", declarou o secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC), Américo Córdula.

"Somos testemunhas de um processo rico e de muita complexidade. Foi um tempo para entender a importância de cada fala; saber ouvir e também falar", afirmou o secretário executivo do MinC, Marcelo Pedroso. "A democracia é a verdadeira escola de convivência política", observou o coordenador da Secretaria Executiva da III CNC, Bernardo Machado.

Propostas aprovadas

Na Plenária Nacional que definiu 20 diretrizes como prioridade, dos 953 delegados, 804 foram votantes. Entre os destaques dessa votação, estão o pedido de aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 150; a proposta que pede o fortalecimento das cadeias dos setores criativos, com intercâmbios – uma das cinco mais votadas, no eixo 4 das discussões; a proposição que pede a inclusão nos planos orçamentários da União, estados, DF e municípios de programas para desapropriação de imóveis ociosos para que sejam aproveitados como equipamentos culturais.

Dentre as diretrizes também constam a proposta de pelo menos 10% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a Cultura; o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura; aprovação da PEC 49/2007 e da PEC 236/2008, que incluem a cultura como direito social dos brasileiros; aprovação de Marco Regulatório das Comunicações no Brasil, do Marco Civil da Internet; ampliação das políticas de editais. Veja as 64 diretrizes e os 20 destaques na home da III CNC (aqui).

104 moções

A Plenária Nacional aprovou 104 moções sendo que cada manifestação contou com, ao menos, 50 assinaturas de delegados com direito a voto. Uma ementa foi lida, durante a mesa de encerramento, trazendo síntese de todos os apelos. O material, na íntegra, será digitalizado durante esta semana e disponibilizado no site da III CNC.

As moções refletiram a diversidade sociocultural: apelos que vão desde pedido para o Saci Pererê ser eleito mascote da Paralimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, até a reivindicação mais citada pela Plenária, a aprovação, pelo Congresso Nacional, da PEC 150, que amplia a participação da Cultura na distribuição do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.